Mais Lidas
A crise trouxe para a ribalta os países emergentes como os principais motores do crescimento económico global.
Os mercados emergentes são a grande aposta dos especialistas para 2010. De acordo com as estimativas do Fundo Monetário Internacional, os países de América Latina, África e Ásia emergente serão responsáveis por quase dois terços do crescimento mundial de 3,1% projectado para este ano. O banco norte-americano Morgan Stanley chega mesmo a perspectivar um crescimento de 6,5% para os mercados emergentes.
Para os especialistas, grande parte do optimismo em redor destas regiões é explicada pela pujança do consumo interno em alguns destes países, que tem contribuído para a construção de uma estrutura económica e financeira mais robusta e cada vez menos dependente das exportações para a Europa e para os EUA. O Brasil e a China são dois exemplos desta realidade. No caso do Império do Meio, a procura interna tem mesmo superado as exportações como principal catalisador do crescimento económico do país. "É a primeira vez na história que um emergente se tornou num dos maiores ‘players' mundiais tendo a procura doméstica como principal condutor", revela Alan Conway, responsável pelo departamento de acções de mercados emergentes da Schroders.
Num contexto mais generalista, há ainda que salientar o aumento do próprio poder de compra da população das principais potências emergentes - Brasil, Rússia, Índia e China (BRIC) - que se tem traduzido, por exemplo, num crescimento mais robusto das vendas de automóveis em comparação com o que ocorre na Europa, EUA e Japão. Além disso, também não tem passado despercebido o notório incremento das trocas inter-regionais entre os países emergentes: "A China exporta actualmente mais para os países emergentes do que para o conjunto do G7", refere Alan Conway. Todos estes indicadores dão mostras de que os emergentes estão verdadeiramente mais fortes e, por isso, os investidores devem ponderar alocar parte das suas poupanças a estas regiões. Mas como?
Emergentes pela porta dos fundos
A liderança da recuperação da economia global tem estado nos países da Ásia emergente, graças a "um resiliente sistema bancário, uma expansão da procura interna, uma alavancagem sistémica baixa, elevadas taxas de poupança, fortes reservas dos bancos centrais e, talvez o mais importante, a uma política de estímulo rápido da China", escreve o Citigroup no relatório "2010 Corporate Finance Priorities".
Para os profissionais do banco norte-americano, Brasil, Índia, Indonésia, China e Coreia do Sul (BIICK) estão preparados para gerar cerca de 35% do crescimento global nos próximos dois anos, depois de na última década terem contribuído com uma média de 25%. Nas contas dos investidores, estes números traduzem-se numa oportunidade de investimento a não perder de vista que pode ser agarrada pela mão dos fundos. Foi o que sucedeu aos subscritores do BPI Brasil que, em 2009, fecharam o ano com ganhos 66,5 % como resultado de uma estratégia flexível na escolha de activos por acções e obrigações brasileiras. O mesmo se passou a quem apostou no Espírito Santo Mercados Emergentes em 2009, que fechou o ano com ganhos de 70%. No entanto, a verdade é que os fundos accionistas de mercados emergentes raramente conseguem bater o seu índice de referência de uma forma sustentada.
Por exemplo, no caso do fundo da Espírito Santo Activos Financeiros, apesar de ter sido o melhor fundo doméstico no ano passado, na última década, alcançou uma rendibilidade média anual de 2,26% enquanto o índice que compila as principais empresas das regiões emergentes do planeta teve um desempenho de 5,96%. Assim, para os investidores de longo prazo, que não têm por hábito realocar o seu portefólio todos os anos, a aposta em fundos cotados como o iShares Emerging Markets, negociado na bolsa de Nova Iorque, com um volume diário de cerca 77 milhões de transacções (mais de 1,5 vezes o volume médio do PSI 20 nas últimas 100 sessões), ganha ainda maior relevo porque limita-se a replicar o desempenho do índice de referência MSCI Emerging Markets.
Notícias da mesma categoria
Disclaimer: "O Económico apela aos leitores para que utilizem este espaço para um debate sério e construtivo, dispensando-se, para o bem de todos, o insulto e a injúria gratuitos. Desaconselha-se o uso exclusivo de maiúsculas e a repetição de comentários. Comentários inadequados devem ser denunciados e quando tiverem mais de cinco denúncias serão eliminados. O IP do leitor não será revelado mas ficará registado na base de dados".
Publicidade
Acções do PSI 20





