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10/12/13 00:09
António Costa

O que se passa com a Caixa Seguros?

António Costa

O Governo foi um dos vencedores da privatização dos CTT porque não cedeu à pressão dos lobbies e dos interesses e decidiu vender a empresa em bolsa, mas está a gerir com os pés a última operação do ano, a venda da área de seguros da Caixa Geral de Depósitos.

Agora, todos estão a falar e ninguém percebe quem tem razão.


Quando está anunciada a data de entrega das propostas finais da Caixa Seguros, dia 16 de Dezembro, multiplicam-se as informações que, no mínimo, suscitam dúvidas. Em que ponto é que estamos? E o que está, mesmo, à venda? O Governo lançou um concurso para a venda da Caixa Seguros e apareceram dois candidatos, dois fundos de investimento, um chinês e um norte-americano. Do chinês não se sabe literalmente nada, a não ser que pediu mais um mês para formalizar uma proposta de compra. Do norte-americano, sabe-se que tem activos superiores a 150 mil milhões de euros e histórico de gestão dos seguros.


Nada disto garante, no final, uma proposta financeira que justifique a privatização a um parceiro estratégico de um grupo que, nos livros, está avaliado em cerca de 1,1 mil milhões de euros, mas também se percebe, por exemplo, que a administração da Caixa Seguros está contra a venda da empresa a um fundo e tem alimentado a ideia de que a melhor solução é a dispersão de capital em bolsa.


Percebem-se pelo menos dois argumentos que estarão na cabeça dos actuais gestores do grupo, particularmente da área seguradora: por um lado, a Caixa Seguros tem, como outros organismos e instituições públicos, investimentos de milhares de milhões de euros em dívida pública, aplicados quando Portugal tentou escapar ao resgate da ‘troika', entre 2009 e 2011. Depois, por outro lado, se o Estado vender uma parte do capital em bolsa, mesmo que venha a ser a maioria, a actual gestão garante a posição por mais um mandato, pelo menos.
Em qualquer dos casos, são argumentos em causa própria, insuficientes para que o Governo decida o melhor dos caminhos, que só pode ser fundado no preço como indicador decisivo. Além disso, no caso dos CTT, a decisão do Governo para vender em bolsa não esperou pela entrega das propostas finais vinculativas, como parece já ser o caso na Caixa Seguros. Finalmente, a estrutura do negócio entre as duas empresas mostra que o sucesso dos CTT não é garantia de sucesso na Caixa Seguros.


Ora, como o Governo e o Ministério das Finanças estão a gerir este processo pelo silêncio, deixando que outros falem por si, está a ser co-responsável pela confusão que, neste momento, está instalada, na defesa da venda em bolsa. Poderá, até, ser a melhor solução, mas convém que alguém nos explique porquê.

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