O Bundesbank afirmou que só haverá união bancária cumprida a união orçamental. Angela Merkel declarou que a união orçamental implica, primeiro, uma união política.
E François Hollande disse que só depois da união bancária é que se poderá pensar na união política. Têm dez dias para deslindar este nó.
O mais interessante é que todas as declarações estão correctas - até certo ponto, pelo menos -, no entanto, o presidente francês foi o único que apresentou uma solução prática: sem resolver a crise, numa se poderá avançar para uma união política. Na visão de Hollande, o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) deve ter meios para injectar capital ilimitado nos bancos e para autofinanciar-se através do Banco Central Europeu (BCE), deixando para este o papel de supervisor das 25 maiores instituições financeiras. A chanceler alemã já reagiu: Nein, Nein e Ja, respectivamente.
Com tantas ideias sobre a mesa, é preciso identificar claramente as necessidades. Espanha precisa de uma injecção de capital da zona euro no seu sistema bancário e não de um empréstimo ao seu fundo de recapitalização. No que respeita a Itália, a União Europeia (UE) tem de encontrar maneira de baixar as taxas de juro da dívida italiana. Isso implica tomar uma de três medidas: ‘eurobonds', compra directa de obrigações pelo BCE ou pelo MEE. Ora, Itália é demasiado grande para caber no guarda-chuva, o BCE não quer monetizar a dívida e a Alemanha opõe-se às ‘eurobonds'.
Perante tais problemas, o melhor é ter tudo, isto é, uma união bancária, uma união orçamental e uma união política. Talvez isso ainda possa acontecer, muito embora tenha a impressão de que Angela Merkel falava sério quando rejeitou todas as propostas que podiam resolver a crise. Dez dias antes da próxima cimeira europeia, tenho poucas razões para estar optimista. O que pode acontecer se os líderes europeus fugirem novamente à questão ou não houver acordo? Nesse caso, estimo que Itália e Espanha saiam da zona euro. Se uma união monetária tem como pré-requisito uma união bancária e nos dizem que uma união bancária é politicamente inaceitável, só podemos chegar a uma conclusão: a união monetária não é viável. Não digo isto de ânimo leve, estou perfeitamente ciente de que a desagregaçãoseria catastrófica.
Não havendo acordo na cimeira da próxima semana, é de prever que a corrida aos bancos ganhe mais expressão. Por que haveria o cidadão comum de deixar o seu dinheiro nos bancos locais quando os investidores estrangeiros estão em fuga e a UE se prepara para impor controlos de capital? As taxas de juro de mercado vão subir ainda mais e Espanha e Itália acabarão por perder o acesso aos mercados de financiamento. É tudo uma questão de tempo.
Se estes dois países saírem da zona euro, é natural que também entrem em incumprimento ao nível da dívida externa, levando muito provavelmente ao colapso do sistema financeiro europeu, situação que também teria consequências para Espanha e Itália. Ironicamente, porém, a saída de um ou de outro causaria maiores danos à França e à Alemanha do que aos próprios.
Angela Merkel afirmou que a zona euro e os mercados financeiros competem agora entre si. Este comentário significa que a chanceler percebe claramente o que se passa, mas isso não quer dizer que esteja disposta - ou em condições - de fazer o que tem de ser feito. Muito sinceramente, fico com a impressão de que a sua conversa sobre a união política mais não é do que um subterfúgio para desviar as atenções da incapacidade de resolver a crise.
Tradução de Ana Pina
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Wolfgang Münchau, Colunista FT
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