Às 12.02 horas de ontem, José Mourinho entrou na sala de imprensa do Real Madrid para uma conferência de Imprensa histórica, mais uma na vida do treinador de futebol que é muito mais do que um treinador, é um líder.
Curiosamente, em simultâneo com a tentativa da espanhola Telefónica em 'esmagar' a portuguesa Portugal Telecom, um português manda no símbolo do futebol espanhol. "Sou o José Mourinho!".
A história de sucesso de Mourinho nos últimos dez anos contrasta com a penosa história de Portugal e mostra que há um caminho. E vale a pena olhar para ele, para o líder e para a sua história, e estudá-los com atenção.
Em primeiro lugar, vale a pena perceber que José Mourinho foi treinador principal pela primeira vez no Benfica, em 2000/01, isto é, há ‘apenas' uma década. Bem sei que há um trabalho de casa de muitos anos, de preparação, de análise e de estudo. Para os que não sabem, Mourinho começou a sua carreira como treinador dos juniores do Vitória de Setúbal, mas quando decidiu assumir o protagonismo, não falhou. Passados dez anos, José Mourinho é o treinador principal do clube mais importante do mundo, é o treinador mais bem pago do mundo, é o treinador mais desejado do mundo, sem falsos patriotrismos, é o melhor treinador do mundo.
Qual é o segredo de José Mourinho? Esta pergunta é tanto mais importante quando Portugal falha consecutivamente, quando perde, ano após ano, e não apenas por responsabilidade dos governos, mas de todos os portugueses.
José Mourinho é estudioso e competente e é, talvez por isso, arrogante, tem uma auto-estima sem limites, mas é muito mais do que isso: é corajoso, não apenas do ponto de vista físico, é focado nos objectivos, é arrojado nas metas, é líder. A líderança de Mourinho começa, sempre, na forma como se apresenta quando assume novas responsabilidades. Foi assim no Benfica, de onde saiu ao fim de dois meses, foi assim no F.C.Porto, foi assim no Chelsea, foi assim no Inter, clubes onde ganhou, sempre. E foi assim ontem, na capital espanhola, sem estádios cheios, mas com a ambição de voltar a vencer.
Portugal tem estas características? Infelizmente, não. Mas não está condenado a ser seguidor, como, de resto, provam os exemplos de José Mourinho e de outros ‘mourinhos' em áreas tão diversas como a cultura, a economia, a gestão, a medicina ou a investigação. José Mourinho não é um exemplo único, mas a sua projecção, única no mundo, e que ultrapassa em muito o fenómeno do futebol, justifica a distinção e a cópia.
Em entrevista a Luís Lourenço, o seu biógrafo oficial, no livro ‘Mourinho - a Descoberta Guiada', o treinador respondeu à pergunta ‘o que é liderar?'. "Para mim, liderar não é mandar, para mim liderar é guiar."
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António Costa, Director
antonio.costa@economico.pt
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