Economico logo
Nova tecnologia exclusiva para utilizadores registados
Raul Vaz

O que é que Seguro tem? 0,0001%

20/01/12 00:01 | Raul Vaz 



O credor está aí e observa: será Seguro capaz de seguir Proença? João Proença, um homem baço, iluminou-se. E deu uma lição. Somando inteligência e bom senso.

Com um pico de coragem - uns dirão que é generosidade, outros que se trata de ingenuidade. Um pico provocador. A esquerda ancorada num sindicalismo obsoleto ameaça queixa-crime; Torres Couto ameaça extinção. É evidente: não se conhecia acordo mais bonito do que o ‘flûte' com Cavaco em 1987. Sobra tempo, tempo para entranhar direitos e hábitos. A CGTP estrebucha. João Proença seguiu duas chaves de leitura.

Com ou sem a UGT a exigência da ‘troika' ia em frente. Ia com um dos lados (o patronato) e sem qualquer margem negocial para o outro lado (os trabalhadores). Ou seja, sem os sindicatos seria pior. E percebeu mais, explícito na entrevista ao Diário Económico: "Se houvesse conflitualidade social, arriscávamo-nos a cair na situação da Grécia". O acordo não mata a conflitualidade social. Pelo contrário, dá gás à CGTP. Mas, convenhamos, não é a mesma coisa. E isso, para memória futura, fica a crédito de João Proença.

No partido de Proença vigora a balbúrdia. Enquanto Zorrinho diz que é obrigatório fiscalizar politicamente o orçamento, floresce uma aliança com a bancada evangelista e formaliza-se ao Tribunal Constitucional a fiscalização sucessiva da lei orçamental. No meio da ponte, Seguro resiste. Virá o tempo em que terá de afirmar uma opção. Entre a tagarelice paroquial de um resquício e a lucidez de João Proença. Claro que é mais fácil ver do que fazer: o orçamento é recessivo, o acordo social não trava, por si, o desemprego. Sem crescimento não se vai lá. Pois não, mas só se ganha este jogo - renegociar prazos e condições - com um carteio irrepreensível.

Acreditemos que entre a sueca e o bridge, António José Seguro joga poker. Frio, capaz de um ‘bluff' granítico. Agora, como antes, com 0,0001% de margem para rejeitar o desafio. Mais zero menos zero. Agora, numa incerteza crescente, dá vida cerrar os dentes sem que a mesa consiga distinguir ou adivinhar a mão. Uma e cada mão de um jogo. Estará Seguro preparado para negociar este acordo social? Veremos. Com um pormenor: há quem espere a (sua) mão.
____

Raul Vaz
raul.vaz@economico.pt




Comentários

Ainda não existem comentários. Seja o primeiro a comentar!
Envie o seu comentário

Disclaimer: "O Económico apela aos leitores para que utilizem este espaço para um debate sério e construtivo, dispensando-se, para o bem de todos, o insulto e a injúria gratuitos. Comentários inadequados devem ser denunciados e quando tiverem mais de três denúncias serão eliminados automaticamente. O IP do leitor não será revelado mas ficará registado na base de dados".

Os comentários enviados serão publicados após aprovação. O DE reserva-se o direito de não publicar comentários considerados como ofensivos ou sem ligação alguma ao artigo em questão

Publicidade

Collapse

Bolsa

Close
-
PSI 20
-
FTSE 100
-
DAX 30
-
CAC 40
-
SMI
-
AEX 25
-
IBEX 35
-
DOW JONES
-
NASDAQ
-
BOVESPA

Acções do PSI 20

-
-
ALTRI
-
-
JERON. M.
-
-
BPI
-
-
MOTA EN.
-
-
BANIF
-
-
PORTUC.
-
-
BCP
-
-
PT TELEC.
-
-
BES
-
-
REN
-
-
BRISA
-
-
SEMAPA
-
-
CIMPOR
-
-
SONAE IN.
-
-
EDP EN.
-
-
SONAE
-
-
EDP REN.
-
-
SONAECOM
-
-
GALP
-
-
ZON
Feed com delay de 15 minutos
MyTable
Collapse

Económico Digital

Close
Económico Investidor