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13:19 Segunda, 23 de Novembro 09
Vitor Bento

O pós-crise

22/07/09 00:02 | Vitor Bento 



A crise internacional parece estar a estabilizar. Parece ter parado o sucessivo rebaixamento das previsões económicas e o calendário da retoma, e o seu ritmo, começam a tomar o centro do debate sobre a prospectiva económica.

Espera-se um crescimento positivo nos EUA já em 2010, o que significa inverter o ritmo da actividade económica ainda este ano. Noutros casos, porém - v.g. Europa, em geral, e o nosso país, em particular - espera-se que a continuação do declínio se estenda ainda a 2010 e que, portanto, só ao longo desse ano o crescimento inverta o sinal.

Mesmo que se confirmem as perspectivas mais optimistas para o fim da crise internacional, os problemas de fundo da economia portuguesa, de natureza mais estrutural, vão permanecer, condicionando o potencial de crescimento e, com ele, a capacidade para absorver o aumento da população activa (reduzindo o desemprego) e de melhorar sustentadamente os níveis de vida. Procurando equacionar as perspectivas de crescimento pós-crise a OCDE publicou recentemente previsões de crescimento para o período entre 2011 e 2017. Dos 30 países abrangidos, Portugal é o que apresenta o pior crescimento médio para aquele período: 1.5%, contra, por exemplo, 2.3% da zona euro, 2.7% de toda a OCDE, 3.3% da Espanha, 3.9% da Grécia, 2.8% da Irlanda e, até, 2.9% da Islândia! Ou seja, a OCDE confirma que, como previ em livro recente, Portugal está preso numa armadilha de duradouro empobrecimento relativo. Mesmo que a recuperação já seja sensível em 2011, o PIB português não deverá voltar a atingir o valor alcançado em 2007 (o mais elevado até agora) antes de 2014 (i.e. após sete anos de "seca" económica, e com os juros pagos ao exterior a crescer com o endividamento, o período de "seca" do rendimento nacional deve durar, pelo menos, mais um ano). Em cima disto, as previsões da OCDE só vêm confirmar que temos pela frente um duradouro, e grave, problema económico, com iniludíveis consequências sociais (vg persistência de desemprego nos dois dígitos).

Nestas condições, seria de esperar que a atenção política se concentrasse na gestão do pós-crise, visando dotar a economia da competitividade necessária para tirar o melhor partido possível da retoma mundial, gerando crescimento económico e contendo o endividamento. Isso deveria estar, pois, no centro da próxima campanha eleitoral. Infelizmente, nada sugere que assim seja. As promessas necessárias para ganhar eleições, nem sempre são as necessárias para governar melhor o bem comum.

Daí que a retórica eleitoral se vá concentrar mais no fomento de expectativas distributivas de menos, por menos, do que da criação sustentável de riqueza, para se poder vir a distribuir mais, por mais. E quanto mais se insistir nas primeiras, mais nos afastaremos da segunda. Apesar da nova versão da "economia voodoo".


N.R.: Este artigo de Vítor Bento foi escrito antes de ter sido apontado pelo Presidente da República como Conselheiro de Estado.
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Vítor Bento, Economista


Comentários

vg, | 22/07/09 00:33
Só qeu estse rapazes ainda andam a tirar coelhos da cartola , a fazer espectáculo de inaugurações e a distribuir benesses ,que já não tencionam pagar.E o pós -crise português está a perder de vista.Basta fazer contas..


USA, USA | 22/07/09 06:49
N.R.: Este artigo de Vítor Bento foi escrito antes de ter sido apontado pelo Presidente da República como Conselheiro de Estado.

Que me adianta ter duvidas...?


LL, | 22/07/09 08:55
Parabéns ao dr. Vitor Bento pela nomeação para conselheiro de estado. Votos de que continue sagaz nas análises mas mais optimista que até agora... Para sairmos da "armadilha de duradouro empobrecimento relativo" ou pântano socialista para abreviar, há muito a fazer. Uma das coisas é recuperar o ânimo e a confiança de que somos capazes de superar mais esta adversidade. E aí os conselheiros podem ter o seu papel.


Marco António, belgica | 22/07/09 09:18
Estesim daria um excelente Ministro das Finanças, mas não iria dar muito jeito há máquina já montada, é uma pena


Realista, Porto | 22/07/09 09:24
A que propósito vem a NR no fim do artigo? O autor, com cujas ideias não simpatizo minimamente, desta vez fica à porta do problema. Diz ele que já devíamos estar a pensar na recuperação pós-crise. Até aqui estamos todos de acordo. Mas qual a via para a recuperação? A via de apertar ainda mais o cinto ou a via do investimento e da aposta no progresso? Nas tais previsões da OCDE (que valem tanto como as previsões falhadas do passado), indica-se a Espanha (a minha querida Espanha) a crescer outra vez acima da média – 3,3%. E por que é que a Espanha cresceu acima da média antes da crise e vai voltar a fazê-lo depois da crise? Porque reduziu drasticamente o sector público? Porque reduziu os impostos? Ou porque apostou fortemente (nunca parou desde a adesão à EU) nos investimentos públicos?


AdS, | 22/07/09 09:44
Parece que quando esta crise acabar o capitalismo selvagem estará um pouco diferente e será em função dessa diferença que Portugal ficará a saber se está ou não estruturalmente desadecuado às novas realidades. Esta crise, obra do deus Mercado e da globalização funcionando a energia barata, surpêndeu os especialistas é provavel que termine de forma semelhante.


Nichix, seixal | 22/07/09 11:52
Já tive oportunidade de ouvir pessoalmente o sr Vitor Bento. Já na altura discordei de uma serie de ideias suas. As previsões da OCDE, também diziam que a Islândia era um exemplo e ..... colapso. Portanto desconfie-se daí. Obviamente que a nossa carga fiscal nos empurra cada vez mais para o fundo. Imagine-se uma firma portuguesa e outra espanhola, que produzem o mesmo artigo. se são tributadas de forma diferente, a que paga menos tributo, liberta mais capital para investimento, produção, moderniza-se e desenvolve-se. A outra mais onerada, que lhe resta ?
mas mais. uma firma do espaço europeu e outra americana, que produzem o mesmo artigo, vão ao banco pedir dinheiro, para produzirem, para adquirirem equipamento. quem consegue dinheiro mais barato ? os americanos, certamente. então como podemos competir ou exportar, senão conseguimos competir nos custos, quanto mais no resultado final. Como é Sr Trichiet ? essa taxa referência não desce porquê ? já fiz esta pergunta ao sr Vitor Bento e fiquei sem resposta, porque ?


AC, Corroios | 22/07/09 12:32
O articulista, os comentadores/ analistas políticos e económocos e os comentadores deste painel teem todos razão!!!!!!!!!!!!Mas!!!!!!!!!!!!!!!!!!O SUMO DOS NOSSOS ECONOMISTAS JÁ PASSARAM POR GOVERNOS OU PROXIMO E ESTAMOS COMO ESTAMOS. Não temos nem nunca tivemos desde o PREC políticos e empresários com VISÃO PARA O PAÍS, pois apenas pensam pequeno, em si e nos seus bolsos::::::::


Paulo Monteiro, Londres/Porto | 22/07/09 13:15
Um artigo excelente!


JTS, | 22/07/09 14:43
Caro Dr. Vitor Bento,
Se analisarmos numa perpectiva antropológica os economistas são os "mágicos" dos dias de hoje.
É com frequência citado o exemplo saxónico. A maioria dos douturados são formados por estes países; salvo raríssimas excepções.
O PIB do Reino Unido só com o petróleo do Mar do Norte tem logo contabilizado 16%. Isto para não falar dos USA cujas riquezas no seu território, por imensas, não merecem abordagem. Este último tem uma altíssima percentagem do seu PIB no consumo interno - insustentável álias. O REino Unido desindustrializou-se e vive dos serviços finançeiros. Vamos ver até quando, pois os produtores de petróleoo árabes vão criar moeda própria.
Depreende-se que o modelo de capitalismo, dito saxónico, falhou.
Para o nosso país, vergastado pela globalização selvagem e o alargamento destrambelhado da UE a Leste, que nos restará ? Sem recursos, sem I


Rodrigo Barny, Porto | 22/07/09 14:51
Estou farto destes comentadores económicos que passam a vida a dizer a mesma coisa!!! Os problemas da economia Portuguesa todos já sabemos quais são. Já sabemos que vamos crescer menos que os outros, que não somos competitivos, blá, blá, etc...
O que eu queria ver era estes senhores pseudo-gurus da economia escreverem sobre as soluções, sobre a forma de actuarmos com vista a sairmos da cauda da Europa. O que é que devemos fazer Senhor(es) Doutor(es)??? ... mas num raciocínio prático e não apenas no campo teórico!!!

Por favor! Chega de constatações, lamentos e projecções negativistas!
Caro Dr. Vitor Bento, "arregaçe" as manguinhas e forneça um pouco da sua massa cinzenta à sociedade Portuguesa. Todos precisamos de todos! Dê ideias, escreva manifestos de actuação, planos concretos, entre num partido político, forme um movimento de "pressão" construtivo, "atravesse-se", diga para onde devemos ir....
Eu estou pronto a ajudar.....não quero que meu País seja o mais atrasado da Europa!
Se me quiserem ouvir, também tenho opiniões e bem válidas

Cumprimentos,
Rodrigo Barny


Conselheiro Sentado, | 22/07/09 15:32
Adoro estes "ensinamentos" do jovem conselheiro ! E são ensinamentos cheios de percentagens, previsões e teorias ! Estamos mal, por culpa nossa. A vizinha España criou infra-estruturas rodoviárias em toda a Andaluzia e o AVE=TGV já circula de Sevilha a Madrid, Toledo, Cordoba, Málaga. Investimento público, pois claro. E a maioria das AE são gratuitas. E, a cereja em cima do bolo: a infra-estutura hospitalar, na Andaluzia é a sério. Muito terá ainda o Allgarve do nosso PR para aprender !


LOPES CARLOS, Belgica | 22/07/09 15:59
Senhor Rodrigo Barny,
Só na Educação ( Ensino Basico e Preparatorio), faço-lhe várias SUGESTÕES :
- Em cada Escola haja um só Responsavel Pedagogico e um só Responsavel Administrativo/Financeiro, que responda PESSOALMENTE perante a Tutela ;
- Um Aluno que reprove em QUATRO CADEIRAS e que DË MAIS de 150 FALTAS NUM ANO ESCOLAR não pode "transitar" de ano, mesmo com recurso dos Papás para o Conselho Pedagogico ;
- Um Aluno que agrida um Professor ou um outro Colega na sala de aula ou no recreio da Escola tenha SEMPRE Falta Disciplinar e após processo disciplinar seja aplicada uma sanção, que seja divulgada publicamente na Escola.
É que em Portugal a Escola é O Local onde existe A Verdadeira Oportunidade para o Jovem se integrar na Sociedade. Para alguns Jovens Pobres de Familias Desestruturadas ( Pais Cadastrados, Familias monoparentais,etc) é mesmo a UNICA.


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