Economico logo
Nova tecnologia exclusiva para utilizadores registados
Passos Coelho

“O País não pode perder mais tempo”

Maria João Avillez  
04/02/11 15:30

enviar noticia
1 leitores

Passos Coelho exige reformas ao Governo e avisa o PSD para estar preparado para governar. Sem precipitações.

Tem a cabeça bem arrumada, é frio, ponderado, persuasivo, trabalhador. Não se permite estados de alma e por trás do olhar esverdeado e do sorriso cortês mora mais razão que emoção e, sobretudo, uma imensa dose de auto-controlo. Sabe o chão que pisa. E - amem-no ou detestem-no! - não tem pressa. Ponto. Cada coisa a seu tempo e o tempo hoje é de detectar o que deve ser feito "para mudar para melhor", com a Justiça e o papel do Estado à cabeça e "as pessoas" no centro das prioridades do "seu" PSD. Ou seja, de momento, Pedro Passos Coelho, 46 anos, preocupa-se, com realismo e ânimo, a fazer o que tem de ser feito, prevenindo e anunciando tudo, para não vir a defraudar ou remediar nada. Subentendido: o novo líder está muito mais ocupado em começar a garantir "hoje" aos portugueses um projecto de mudança e um programa de reformas para que eles possam - ou não - escolher a "sua diferença", do que na chegada ao poder "amanhã".

"Sim", será um cidadão "livre" nas escolhas que fizer; "não" não depende de ninguém no PSD; "sim" rejeita acusações de "más companhias"; "sim, nada deve e nada teme"; "não", não fará um Governo "PSD-sozinho" mesmo com maioria absoluta: o PSD não é "dono" de nada; "sim" tem equipas, gente, nomes, ideias, projectos"; "sim" a tudo com o CDS "depois", nada com o CDS "antes"; "sim" há hoje uma boa relação com o Presidente da República", mas... "a sua geração não é a de Cavaco Silva" nem ele, Passos Coelho, "quer voltar a esse tempo".
O bom caminho?

Parece mais interessado no País do que no PSD, mais interessado em mostrar trabalho do que em chegar ao poder...
Se e quando houver eleições, temos de ser reconhecidos pelo País como alternativa credível. É preciso arrumar a casa e lançar sementes rápidas de mudança para futuro. Os próximos dois anos - até do ponto de vista europeu - serão decisivos. Vai haver países a fazer o ajustamento necessário para poderem regressar ao mercado com taxas de financiamento das suas economias que sejam sustentáveis e, ao mesmo tempo, com taxas de crescimento das suas economias que atraiam investimento, criem emprego, tragam outro tipo de expectativa positiva, quer aos investidores quer às pessoas. Face a isto, não podemos andar distraídos. E como o tempo passa depressa, também não podemos esperar por eleições ou que o PSD esteja no Governo, para ver o país fazer essas transformações.

Está, então, a construir o "antes", a arrumar a casa, a preparar o caminho para não o fazer só a partir do Governo, um dia...?
É decisivo agir assim! O PSD tem de estar preparado, o próprio país não pode perder mais tempo. Nos últimos quinze anos andámos demasiado distraídos. Não pode ocorrer o mesmo nestes dois que são críticos para o nosso futuro

Acaba de fazer um discurso em Braga onde propôs, anunciou, defendeu, explicou. Mas onde sobretudo arriscou. Que gostaria que se retivesse desse discurso?
Que chegou a altura de deixar de fazer de conta e de ser consequente com os diagnósticos que fazemos. Andamos há muitos anos a dizer que o Estado gasta de mais. Mas, depois, quando se trata do "onde é que se corta mesmo" ou de definir o que devemos retirar em permanência da órbita do Estado - de modo a poupar impostos e dívida ao país e a deixar mais recursos para a economia crescer e criar emprego e valor - aí começam a aparecer as hesitações e os medos que impedem o Governo de avançar com verdadeiras reformas. Ora, esta falta de ousadia em dar o passo seguinte tem hoje um custo de oportunidade demasiado elevado...

Não "ousar" vai sair ainda mais caro?
A partir deste ano, por razões que são conhecidas, vamos ter inevitavelmente uma redução do crédito à economia e, por esta razão, muitas e muitas empresas correm o risco de fechar por falta de acesso ao crédito na banca. Ora, esta situação é bastante agravada pelo facto de muitas empresas públicas concorrerem, com a garantia do Estado do seu lado, na captação do pouco crédito existente. Temos assim de acelerar rapidamente a reorganização do sector público empresarial se queremos preservar emprego e capacidade de crescimento económico no futuro próximo: saber quais as empresas públicas que devem simplesmente encerrar, porque têm défices crónicos apesar de terem oferta privada alternativa e competitiva em termos de mercado; quais as empresas que, apesar dos défices, estão agarradas a um serviço público que precisa de ser melhor definido e quantificado financeiramente, de modo a sabermos todos quanto estamos dispostos a pagar por esse serviço público, e quais as empresas que, apesar de pertencerem ao Estado, podem ser melhor geridas por agentes privados ou que, então, devem ser privatizadas. São estas respostas que o Governo deve dar rapidamente para não perdermos mais tempo.

Mas obteve já uma ácida resposta do Governo, pelo menos quanto às suas intenções...
O Governo sempre quis agradar a gregos e a troianos. Dá-lhe jeito mostrar que é contra o " radicalismo", mas associando "radicalismo" a qualquer mudança séria que se possa fazer na sociedade portuguesa. Não foi senão com essa filosofia que chegámos onde chegámos. Insisto: não façam de conta, por exemplo, que foi feita a reforma da Administração Pública quando não foi. Mais: há cerca de três meses, o primeiro-ministro comprometeu-se no Parlamento a apresentar o projecto de fusão e eliminação de redundâncias nos institutos públicos, direcções gerais e, até na área empresarial. Passaram-se mais de três meses, o Governo continua a não mostrar esse trabalho. O que eu disse foi que estamos abertos a isso, o País precisa que essas reformas se façam. O segundo aspecto que quero sublinhar do meu discurso de Braga é que temos de colocar o cidadão no centro de todas as políticas. Quando discutimos se devemos alargar mais ou menos a rede pública na Educação - a propósito dos contratos de adesão com as escolas que não são da rede pública - cria-se uma falsa discussão que é saber se o Estado deve dar mais ou menos dinheiro a instituições privadas quando não é disso que se trata!

Trata-se de quê?
De saber se as pessoas que precisam de aceder a serviços de educação, têm ou não têm um bom serviço. Se é prestado por instituições do Estado, escolas públicas, excelente. Se as pessoas preferem escolher uma escola privada, que não sai mais cara e que é igualmente boa, ou melhor que a escola pública, que o façam! Não se trata de financiar colégios privados ou escolas públicas, mas sim do direito à educação e é isto que tem de ser avaliado: na educação, na saúde, no apoio social. Conclusão: temos de mudar a filosofia com que olhamos para a sociedade.





Disclaimer: "O Económico apela aos leitores para que utilizem este espaço para um debate sério e construtivo, dispensando-se, para o bem de todos, o insulto e a injúria gratuitos. Desaconselha-se o uso exclusivo de maiúsculas e a repetição de comentários. Comentários inadequados devem ser denunciados e quando tiverem mais de cinco denúncias serão eliminados. O IP do leitor não será revelado mas ficará registado na base de dados".

Publicidade

Collapse

Bolsa

Close
-
PSI 20
-
FTSE 100
-
DAX 30
-
CAC 40
-
SMI
-
AEX 25
-
IBEX 35
-
DOW JONES
-
NASDAQ
-
BOVESPA

Acções do PSI 20

-
-
ALTRI
-
-
JERON. M.
-
-
BPI
-
-
MOTA EN.
-
-
BANIF
-
-
PORTUC.
-
-
BCP
-
-
PT TELEC.
-
-
BES
-
-
REN
-
-
BRISA
-
-
SEMAPA
-
-
CIMPOR
-
-
SONAE IN.
-
-
EDP EN.
-
-
SONAE
-
-
EDP REN.
-
-
SONAECOM
-
-
GALP
-
-
ZON
Feed com delay de 15 minutos
MyTable
Collapse

Económico Digital

Close
Económico Investidor