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Entrevista

“O país está doente e muito afectado do ponto de vista moral”

António Costa e Isabel Lucas  
21/11/09 00:05

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Henrique Granadeiro, ‘chairman’ da Portugal Telecom, diz em entrevista que o país não tem uma resposta coerente para sair da crise.

O Governo e o Presidente da República não foram capazes de se entender para resolver a crise que atravessa o País. A crítica é do responsável máximo pela PT que aponta a falta de capacidade de eleger.

Acha que o que se está a passar na Justiça reflecte essa doença?
A Justiça é o vírus da nossa doença. A Justiça para os pobres funciona bem e depressa. Para os assassinos, para os prevaricadores, para os violadores, para os ladrões, para os pilha-galinhas os tipos são impecáveis. A resposta a esta criminalidade é excelente. As cadeias estão cheias destes pequenos crimes da sociedade que havia, mas os crimes da nova sociedade, os novos crimes, esses estão completamente a descoberto e a Justiça como não entra nesses novos crimes resvalou para o justicialismo. Temos um stock de casos que nunca mais fecham: o Freeport, os submarinos, o Furacão, a casa Pia já leva o tempo que leva, com pessoas com a vida completamente destruída. Há uma quantidade de crimes que estão no congelador e que quando é cirurgicamente necessário passam pelo micro-ondas e voltam ao primeiro plano. Acabaram as eleições. Suspeitava-se que poderia haver um entendimento entre o CDS e o PS e eis o caso dos submarinos cá para cima. Isto é o que desconcerta e revolta as pessoas e as leva a dizer: "Isto não é sério." Na falta de se prepararem e perseguir este tipo de crimes que a nova sociedade gerou ... Não vale a pena parar o vento com as mãos. Estamos numa nova sociedade. Desta crise vai aparecer uma sociedade do século XXI que não vai ter nada a ver com a sociedade do século XX. Tem uma nova fonte de energia. A nova sociedade está em curso. Estamos numa mutação. Uma mutação é uma fractura, é uma esquina da História. O desenvolvimento já não vai ser a projecção das linhas que estruturavam este passado. Estamos já noutra direcção. Provavelmente ainda não temos a noção exacta de qual é essa direcção, mas já há alguns indícios. O mundo bipolar morreu. O equilíbrio mundial não está baseado nos arsenais nucleares dos Estados Unidos e da União Soviética. O Brasil vai querer estar à mesa das decisões. A China não vai prescindir disso. A Índia, África, que tem 900 milhões de habitantes... Se somar a China, com a Índia e África falamos de mais de metade da Humanidade e ainda não estamos a falar das Filipinas nem da Indonésia. A Europa vai ficar um pequeno agrupamento humano.





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