Dois jovens universitários encontraram-se nos bancos da faculdade em Outubro de um ano qualquer.
Miguel, alto e belo, dava brilho e vida em tudo o que tocava. António ficava sempre na sombra. Trabalhava muito mais, mas não tinha nem o rasgo nem o brilhantismo do colega.
Nos exames Miguel obtinha sempre notas elevadas, concluindo sempre mais depressa e melhor, os exercícios ou os trabalhos. António só alcançava notas modestas. E mesmo com livros ou materiais iguais aos do Miguel, nunca seria capaz de tanta "categoria" da qual se gabava o Miguel.
Miguel tinha sucesso, tinha dinheiro, tinha namoradas bonitas e era bom aluno. Não tinha muito tempo para olhar em redor, mas isso também não era para ele importante.
Com o passar dos anos mais avançavam no curso e mais se afastavam as médias. Miguel era agora reconhecido pelos professores como um brilhante e promissor economista enquanto António parecia condenado a um lugar intermédio, com sorte, numa empresa estável.
Um dia, porém, Miguel teve uma aflição. Depois de um jogo de ténis em que esmagou o adversário (mais uma vez vencedor), ao entrar no balneário verificou que lhe tinham roubado o saco com o livro de estudo e todos os apontamentos. Os seus apontamentos! E agora? Acima de tudo estava a reputação de aluno brilhante e essa, ele não podia pôr em causa.
Ligou ao António pedindo-lhe ajuda, mas este negou-lha não cedendo nem os apontamentos, nem devolvendo o livro à Biblioteca para Miguel o requisitar. Apesar disso, Miguel tirou mais um 17 e António o 13 do costume.
Acabaram com notas diversas. António mal celebrou, acabrunhado no meio dos colegas, pelo seu desempenho modesto. Miguel era chamado aos palcos. Melhor aluno, mais celebrado e desejado pelas melhores empresas (e raparigas).
Anos mais tarde encontraram-se na mesma empresa onde António trabalhara desde sempre, sendo um antigo director da casa. Miguel, recém-chegado à direcção da firma, preparava-se para ascender rapidamente à administração. António apesar de mediano, sentia que tinha o direito a aspirar ao topo. Casado e com 3 filhos a estudarem, viu a mulher ficar desempregada em resultado da crise. Miguel continuava casado com uma executiva de sucesso, mas de quem não tinha filhos.
Três meses após a entrada de Miguel na empresa, soube-se que a empresa tinha "gorduras" para queimar, comunicando-se a extinção da direcção do António que, amargurado, percebeu que era o seu fim.
Miguel, sempre o mesmo, sentou-se na secretária e escreveu uma carta à administração. Saiu do gabinete, entrou na sala do presidente e depositou-lhe a carta nas mãos: uma carta de renúncia ao cargo. António ficou na empresa e ocupou o lugar do Miguel.
Era Natal de um ano qualquer, numa história que não é verdadeira, é apenas um conto de Natal.
Bom Natal!
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João Duque, Professor Catedrático do ISEG
Comentários (3)
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Bom Natal Sr. Professor, para si e para os seus!
Gosto muito dos seus artigos, mas este está fora dos parâmetros habituais.
Pouco me interessa que o rapazola seja alto e belo, interessa mais saber a que familía pertence e os € que tem na conta.
Pouco interessa se o homem é inteligente ou não, se fizer o curso na Universidade de Évora, interessa é ser amigo da pessoa certa...
O Miguel está nop topo e "foi boa pessoa"... he he! Uma história não portuguesa, com certeza...
ha conta dos brilhantes....... se assim fosse teriamos politicas brilhantes, se aasim fosse teriamos gestores brilhantes que evitariam as crises, se assim fosse teriamos a classe médica a fazer um sistema de saude infalivel, afinal são brilhantes.... o que acho é que brilhante brilhante, é a estrela de natal. Pena é que as tantas ela também não existe.
Brilhante o comentário!!!!
E pena ser Época de Natal e a história não ser verídica.
Conseguiu retrar bem a realidade social e académicas dos tempos correntes.
Bom Natal Professor!
PR