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Análise

"O medo cria oportunidades" nas bolsas europeias

Eudora Ribeiro  
04/07/12 07:40


Especialista da Schroders diz que há um conjunto de oportunidades de investimento na Europa. BMW, Christian Dior e Richemont são opções.

Rory Bateman, responsável pelas acções europeias da Schroders, considera que "o medo cria oportunidades" e que é possível encontrar "um conjunto de opções atractivas na Europa, em todos os sectores e países".

O especialista da Schroders sustenta que "é possível tirar vantagens da crise de confiança na Europa através da compra selectiva de acções de empresas de elevada qualidade, que estão a crescer e que foram arrastadas de forma indiscriminada no processo de fuga dos investidores para activos percepcionados como de refúgio".

Numa nota de análise a que o Económico teve acesso, Rory Bateman argumenta que é "fundamental" fazer uma "boa selecção das acções", de forma a identificar empresas de qualidade que sejam capazes de continuar a ter lucros num contexto de baixo crescimento económico, e que consigam manter simultaneamente o objectivo de gerar valor para os accionistas.

A Schroders admite que apesar dos desafios que se perspectivam no curto-prazo e da necessidade de convergência orçamental na Europa, existem "activos únicos" na região, "muitos deles a negociar com um desconto significativo face aos seus pares mundiais". "As avaliações são favoráveis, tanto ao nível absoluto como relativo, e o sector empresarial é robusto", refere o relatório.

Rory Bateman indica também que, uma vez que os mercados já descontaram grande parte do risco associado às acções europeias, "o potencial de subida parece cada vez mais apelativo". "Daqui a três anos, acreditamos que os investidores vão olhar para trás e considerar os tempos actuais como um período de grandes oportunidades para investir em acções europeias", antevê o especialista.

O responsável pelas acções europeias da Schroders refere no documento que é possível encontrar negócios de qualidade avaliados em múltiplos como o PER (price-to-earnings) de apenas um dígito, "com descontos substanciais face às empresas dos EUA", e exemplifica com a fabricante de carros alemã BMW.

"Felizmente, o sector empresarial está em boa forma. Os balanços estão particularmente robustos depois de um período de desalavancagem, com as empresas a construírem reservas de dinheiro consideráveis", indica Bateman, acrescentando que a Europa alberga um grande número de empresas globais que estão a aumentar as suas vendas nas economias emergentes, estando menos dependentes do mundo desenvolvido.

O especialista indica que, nos mercados emergentes, o rápido crescimento do apetite dos consumidores "aumentou enormemente a procura pelas principais marcas de consumo, sobretudo por bens de luxo europeus". A este nível, Rory Bateman sugere o investimento em empresas europeias "únicas" como a Christian Dior e a Richemont, que classifica como líderes mundiais a aumentar a sua quota de mercado.





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