Alguns dias depois de o Governo ter anunciado que a adjudicação do troço entre o Poceirão e Caia...
Alguns dias depois de o Governo ter anunciado que a adjudicação do troço entre o Poceirão e Caia, da futura ligação ferroviária em alta velocidade (TGV) entre Lisboa e Madrid, já seria efectuada pelo Governo que resultar das próximas eleições legislativas, um grupo de 28 prestigiados economistas, decidiu publicar nos jornais um manifesto, no qual os subscritores explicitam o desejo de que o Governo medite e reanalise a rentabilidade dos projectos de infra-estruturas, em particular do TGV, do novo Aeroporto de Lisboa e a construção de novas auto-estradas, subentendendo-se do texto do manifesto ser a sua principal preocupação, a questão do já elevado ‘deficit' corrente do país, e a eventual contribuição destes projectos para o seu agravamento.
A forma como foi publicitada esta opinião - através de um manifesto - é relativamente inédita entre economistas em Portugal. Mas, independentemente da forma, pessoalmente acho que não haverá nenhum economista responsável em Portugal que não concorde em que se aprofunde e clarifique a rentabilidade destes projectos, bem como se avalie o impacto que eles poderão ter no ‘deficit' corrente do país, atendendo ao preocupante nível do mesmo - próximo dos 100 % do PIB - aproveitando-se de resto a oportunidade que o Governo nos deu, "empurrando" a 1ª grande adjudicação sobre o TGV para depois das eleições legislativas. Por isso também sou solidário com as preocupações dos meus colegas, quanto a esta questão.
Como antigo responsável político da área dos transportes é pública a minha posição de defensor da construção, quanto antes, de um novo aeroporto de Lisboa, fora da cidade, por razões de segurança e ambientais - decisão que a meu ver só peca por tardia - e da construção de uma rede de ferroviária de alta velocidade (TGV) por razões europeias e ambientais e, por isso, não tenho dúvidas quer quanto à sua enorme importância estratégica para o país, quer quanto à necessidade da sua construção se efectuar enquanto Portugal puder beneficiar de fundos comunitários, o que provavelmente só acontecerá até 2013. Mas como economista, tenho plena consciência da necessidade de haver consensos mínimos sobre este tipo de projectos, sobre a necessidade de estarmos seguros quanto à sua rentabilidade e, ainda, quanto aos seus eventuais efeitos nos indicadores macroeconómicos.
Por isso, discordando da oportunidade do manifesto, como Bastonário da Ordem dos Economistas, parece-me que prestaríamos um grande serviço ao país se, dentro da nossa Ordem, estudássemos profundamente este assunto e apresentássemos ao país as nossas conclusões, acabando de vez com este "para-arranca" que nos não prestigia.
As ordens profissionais também servem para isso!
Comentários (7)
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Acções do PSI 20





Dr. MURTEIRA NABO, depois de ler o seu artigo veio à minha mente algo que o Dr. tomou como medida na (PT) o investimento na vivo
no (BRASIL) por muitos criticado, talvez os mesmos de agora que
muito criticam todos os grandes investimentos, mas como analfabeto
que sou sobre o assunto pergunto, como desenvolvem o paí? nada
dizem, mas se temos os fundos da (C.E.) que ajudam, porque não
tentar, recorro a 1987 recebemos muito dinheiro, pergunto mais
uma vez, que foi feito desse dinheiro, voltou de onde veio, ou
foi entregue para obras de caridade, teria sido melhor, pois como foi
gasto, creio que os criticos de agora tinham a responsabilidade de
governar esse dinheiro, devem ser os remorsos se é que têm.
Pena é que a dona Manuela não tenha reparado que nos 28 "economistas credíveis" só lá esteja uma Mulher ! Aqui ao lado, o Governo espanhol pratica a paridade ! Por cá, na banca, Governo, Autarquias, Reitorias, Escolas, o que vemos é uma gritante falta de "Josefinas" ! Acaso o TGV/AVE será assim um tão mau negócio como foi a doidice dos estádios do futebol ? Não andará a equipa e a líder laranja próxima do "sindrome da exaustão" ? Porque não uns dias de férias para arrumar ideias e argumentos ?
Para Realista do Porto
Também fiquei cidrado com aquela do passar da dívida de 14% para 97 %.
Julgo contudo que era referido, não à dívida pública, mas à dívida externa do país.
Mesmo isso me parece irreal, mas se possível, esclareça.
Caro Francisco Murteira Nabo
Apelo então à sua “plena consciência” que afirma neste artigo ter, para que naquilo em que tem poderes efectivos, como Presidente do Conselho de Administração da Galp Energia, combater a gravíssima crise que atravessamos, que em parte é derivada da crise do sector da Energia.
Use a sua consciência e force a empresa que preside a mudar as suas políticas! Em vez de depauperar o País e os portugueses e escolher sempre “a opção que cria mais valor para os accionistas” e que enche os bolsos de meia dúzia com milhões, force a sua empresa a praticar preços justos no mercado que domina! Os preços que a Galp pratica hoje face aos lucros que apresenta e aos dividendos que distribui são completamente imorais e inaceitáveis.
Numa sociedade como a portuguesa, que infelizmente depende demasiado do transporte individual face às péssimas redes de transporte publico que detemos, de cada vez que os preços dos combustíveis sobem e obrigado a gastar mais dinheiro em transportes, o poder de compra do português comum cai abruptamente. Com a perda do poder de compra, cai também o nível de vida, e as suas condições de vida deterioram-se.
Assim a Galp é uma das grandes responsáveis da perda de poder de compra do português comum. É uma das grandes responsáveis pela perda de qualidade de vida dos portugueses! É também responsável pelo aumento da desigualdade social, dando muitíssimo a muito poucos e exigindo demasiado a muitos que não têm como o pagar.
O crescimento da Galp e a sua afirmação no internacional não pode nem deve ser feito à custa do aumento do custo de vida dos Portugueses!
Como líder de mercado a Galp tem de dar o exemplo! Caso contrário mais cedo ou mais tarde, com maior ou menor atraso, o Estado será obrigado a tomar medidas bastante mais radicais, que em nada beneficiarão a sua empresa.
É por tudo isto que apelo à sua responsabilidade como Presidente da maior empresa de produtos petrolíferos de Portugal e apelo à sua “plena consciência” enquanto economista e enquanto cidadão português.
Use o poder que tem enquanto é tempo.
Atentamente,
Acabem com o Gamanço!
http://www.gamanco.blogspot.com/
acabemcomogamanco@gmail.com"
O pára-arranca não o é verdadeiramente. Desde que o estado gastou (ou compremeteu-se a gastar) o 1º euro no TGV que o processo verdadeiramente arrancou. E arrancou, como é habitual, com uma fase de análise com estudos e pareceres a serem encomendados pelo estado e pagos pelos contribuintes.
Não existe pára-arranca; o que existe é um resvalar da fase de análise quer em tempo quer em custo.
O que falta nestes grandes projectos não são estudos, mas sim um bom estudo para cada um dos projectos. O que sobra são maus estudos, inconclusivos e mal fundamentados que se sucedem com custos inerentes directos (o que pagámos por eles) e indirectos (o atraso que provocam nas obras que se vierem a revelar vantajosas). Alguém está a ganhar: quem elabora os estudos; alguém está a perder: os contribuintes e alguém está a dormir: os governos que deviam velar pelo bom andamento dos projectos. Entretanto a indústria dos estudos vai ganhando bom dinheiro e não tem incentivo a fazer um bom estudo: isso só lhes fecharia a torneira dos cofres do estado. O caso é tão evidente que o estudo conclusivo do aeroporto foi encomendado e pago por um consórcio dos que ganharão com as fases seguintes do projecto (construção/exploração), já cansados de esperar pela sua fatia do bolo. Importa saber aqui quais os interesses dos manifestantes, o que tanto quanto sei não consta do manifesto. Falta a declaração de interesse doa 28 prestigiados economistas - em que estudos já participaram (elaboração ou avaliação) e quais as ligações a instituições que produzem os referidos estudos. É que não nos esqueçamos que o que estão a propor é que se gaste mais tempo e dinheiro dos contribuintes em mais estudos! Senão é deitar dinheiro para o problema: fica-se com o problema mas sem o dinheiro!
Até que enfim vejo um economista “não credível” abordar o assunto. Ainda por cima o bastonário da Ordem. Para alem de muita demagogia, vai por aí muita mentira. Ainda ontem ouvi na Sic Noticias, num debate sobre a entrevista de MFL, que a dívida pública tinha passado de 14% para 97%. do PIB. Santo Deus. Vou tentar dar o meu contributo para a discussão. 1- A nossa dívida pública era em 2008 de 66,4% do PIB. Excedia ligeiramente o limite máximo de Bruxelas (PEC), que é de 60%. Mas havia muitos estados em pior situação. A dívida da Itália, por exemplo, era de 105,8%. A da Bélgica de 89,6%. Em 2009, com os estímulos económicos e os “bail-outs” a dívida aumentou dramaticamente em todos os países, sendo que Portugal (onde o sistema financeiro quase não foi afectado pelos activos tóxicos) o aumento deve ter sido menor. Eu penso que em termos de deficit e de dívida pública Portugal estará no final de 2009 na média europeia (perto dos 75%). ENTÃO PORQUÊ ESTA HISTERIA COM O ENDIVIDAMENTO? 2- Ao contrario do que possa parecer, os investimentos públicos pouco impacto terão na dívida pública. As barragens vão ser construídas por privados, as AE idem aspas. O TGV é o investimento que mais vai exigir do Estado. Ainda assim a parte de financiamento do Estado será apenas de 30% e faseada ao longo de vários anos. ENTÃO PORQUÊ O ODIO AOS INVESTIMENTOS?
Caro Francisco Murteira Nabo
Apelo então à sua “plena consciência” que afirma neste artigo ter, para que naquilo em que tem poderes efectivos, como Presidente do Conselho de Administração da Galp Energia, combater a gravíssima crise que atravessamos, que em parte é derivada da crise do sector da Energia.
Use a sua consciência e force a empresa que preside a mudar as suas políticas! Em vez de depauperar o País e os portugueses e escolher sempre “a opção que cria mais valor para os accionistas” e que enche os bolsos de meia dúzia com milhões, force a sua empresa a praticar preços justos no mercado que domina! Os preços que a Galp pratica hoje face aos lucros que apresenta e aos dividendos que distribui são completamente imorais e inaceitáveis.
Numa sociedade como a portuguesa, que infelizmente depende demasiado do transporte individual face às péssimas redes de transporte publico que detemos, de cada vez que os preços dos combustíveis sobem e obrigado a gastar mais dinheiro em transportes, o poder de compra do português comum cai abruptamente. Com a perda do poder de compra, cai também o nível de vida, e as suas condições de vida deterioram-se.
Assim a Galp é uma das grandes responsáveis da perda de poder de compra do português comum. É uma das grandes responsáveis pela perda de qualidade de vida dos portugueses! É também responsável pelo aumento da desigualdade social, dando muitíssimo a muito poucos e exigindo demasiado a muitos que não têm como o pagar.
O crescimento da Galp e a sua afirmação no internacional não pode nem deve ser feito à custa do aumento do custo de vida dos Portugueses!
Como líder de mercado a Galp tem de dar o exemplo! Caso contrário mais cedo ou mais tarde, com maior ou menor atraso, o Estado será obrigado a tomar medidas bastante mais radicais, que em nada beneficiarão a sua empresa.
É por tudo isto que apelo à sua responsabilidade como Presidente da maior empresa de produtos petrolíferos de Portugal e apelo à sua “plena consciência” enquanto economista e enquanto cidadão português.
Use o poder que tem enquanto é tempo.
Atentamente,
Acabem com o Gamanço!
www.gamanco.blogspot.com
acabemcomogamanco@gmail.com