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“Portugal, e agora?” foi o mote da conferência de ontem do Diário Económico com Pedro Passos Coelho.
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Logo que possível, Passos Coelho quer afastar o Governo porque “já não tem qualquer margem de confiança”.
O líder do PSD mantém a pressão elevada sobre os socialistas, quer eleições antecipadas logo que possível, não dramatiza a vinda do Fundo Monetário Internacional, mas lembra que o FMI só virá caso haja, no Parlamento, um acordo alargado entre os principais partidos.
"A solução ideal era a Constituição permitir eleições" de forma imediata assumiu ontem Pedro Passos Coelho na conferência do Diário Económico. "Essa [solução] não há, mas existem outras". O País "não acaba" e, embora deixe implícito que acredita que não haverá um impasse orçamental e político até às eleições presidenciais, depois de 23 de Janeiro a conversa é outra. Pelo menos a do líder da oposição: "As eleições dão mais verdade e mais força política às soluções" e não "é preciso uma criatividade excessiva para se perceber que pode e deve haver outras soluções".
Passos Coelho quer ser Governo, mudar o Estado em áreas onde o PS garantia ter feito reformas de fundo - Justiça, Educação, Saúde e Administração Pública foram exemplos que citou - porque se chegou "a um clima de saturação política em que é muito difícil o Governo manter-se muito mais tempo em funções".
Enquanto se forçam os sinais de degradação económica, financeira, social e política Passos não teme vir a ser penalizado pela agenda de austeridade com que os portugueses serão confrontados nos próximos anos. "Há muita gente que se preocupa com o salvar da face, mas nós [PSD] não temos responsabilidade nenhuma na situação a que o País chegou".
Nem mesmo se, dentro em breve, tivermos de recorrer à ajuda internacional. "Ainda há muito para fazer e evitar" uma vinda do FMI a Portugal "mas se tiver que vir é porque precisamos e não vale a apenas diabolizar" o Fundo. Com um reparo: se o FMI vier a Portugal, sem um Governo de maioria absoluta "será preciso um compromisso no Parlamento".
Apesar do Governo se manter irredutível quanto à redução da meta de 4,6% para o défice de 2011, Passos mantém em cima da mesa o apoio do PSD a uma revisão em alta. Caso contrário "o ajustamento violentíssimo" que Sócrates e Teixeira dos Santos pretendem fazer - ao reduzir o défice de "8,5 ou mais para 4,6% em apenas um ano" - "pode matar o doente com a cura".
Para o País, através da plateia que assistiu à conferência no Ritz, Passos prometeu trabalhar para um rumo distinto. "O actual Governo já não tem margem de confiança quer em Bruxelas quer junto dos investidores externos para o poder fazer".
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