Os economistas dizem que “as recessões são como os tufões: a sua gravidade vai de 1 a 5, de comum a catástrofe”.
As recessões de tipo comum fazem parte do ciclo económico porque acontecem quando os ‘stocks' de produtos das empresas excedem a procura, obrigando-as a baixar a produção até que os artigos em armazém sejam escoados. A categoria 5 acontece quando a procura diminui muito, os consumidores deixam de comprar e quando as empresas deixam de investir. No seu livro autobiográfico "A Era da Turbulência" (publicado há 5 anos pela Editorial Presença) Alan Greenspan, antigo presidente da Reserva Federal dos EUA, conta que em 1974, quando era assessor do Presidente Ford, participou no processo de aconselhamento do Presidente sobre que medidas tomar face à forte recessão que o país à data sofreu, agravada pela crise petrolífera de então. A questão é que à data - como hoje - não havia modelos económicos de previsão que classifiquem, com rigor suficiente, qual o grau da recessão que se terá de combater. A importância da classificação do grau de recessão que enfrentamos resulta do facto das medidas a tomar serem completamente diferentes.
O grau 5 requer em regra uma redução dos impostos e/ou um aumento maciço do investimento público, muitas vezes com emissão de moeda, crédito fácil e barato.
Se for admitido que o grau é 2 há o risco do programa de ataque à recessão ser considerado inadequado por se revelar demasiado moderado, poder prolongar a recessão e agravar a crise. Mas o presidente Ford tinha que optar e, apesar de pressionado pelo Congresso em sentido contrário, deu instruções para que se elaborasse o mais suave plano que se conseguisse. Acertou, porque passados menos de 2 anos, a economia estava já a crescer e a crise estava controlada.
Esta história passada com Alan Greenspan há quase 40 anos tem plena atualidade em Portugal, numa altura em que a previsão da recessão para 2012 tem vindo a evoluir de - 1,8% do PIB no início, para - 3,4% do PIB com a previsão agora anunciada pelo Banco de Portugal. Havendo um consenso alargado no país de que a nossa recessão não estará ainda no grau 5, e de que todos desejamos que não o atinja, a ausência de modelos económicos de previsão seguros não permite saber quem tem razão relativamente ao pacote de medidas a adotar, área onde - aí sim - há fortes divergências. Mas não seria mau "beber" das experiências passadas que, de algum modo, nos dizem que um remédio tomado muito depressa pode conduzir a que a saúde piore. Agora que os chineses "andam por aí" não seria mau aprender com eles a ser paciente, a saber esperar e dosear o pacote de medidas para que, como o Presidente Ford fez, se consiga reduzir o grau da recessão e não aumentá-lo...porque poderemos estar a ser conduzidos ao grau 5 da recessão sem nos apercebermos!
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Francisco Murteira Nabo, Economista
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