O caso BPN é como o fado: património imaterial. Tão imaterial que não comporta culpa e muito menos culpados. É também muito português, preparando-se para contribuir generosamente para o défice com 1,4 mil milhões de euros e deixando no desemprego 1500 trabalhadores.
A ironia está no argumento do anterior governo para intervir no BPN: evitar o impacto sistémico. Ei-lo, finalmente, o impacto sistémico, num encontro demolidor e inadiável entre a factura e o devedor - o contribuinte, claro. O BPN é, de facto, um fado português: fez alguns (poucos) ricos, depenou ainda mais os contribuintes e tornou o país mais pobre. E ficará, talvez, na história como um acidente, a obra inacabada de Oliveira e Costa, um homem só, sem passado, sem relações e sem amigos. Restará um ‘happy end' que acomoda desconfortos, apaga cumplicidades e atenua pesos na consciência. O BPN merecia um Óscar para "O melhor actor" - já que surpreendentemente só tem um -, e outro para "Os piores efeitos secundários". Faz parte do sistema acarinhar filmes como este. Não foi o primeiro, nem será o último.
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Miguel Coutinho
mcoutinho@ongoing.com
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