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A venda da Vivo pela Portugal Telecom à espanhola Telefónica decide-se hoje. Se for accionista, veja as contas que tem que fazer antes de votar.
A novela Portugal Telecom (PT) - Telefónica está a chegar ao fim. E o último capítulo é já na quarta-feira com a realização da Assembleia Geral dos accionistas da PT. Mas, ao contrário do que acontece na ficção, este argumento não tem nem bons nem maus, não está destinado a acabar com todas as "personagens" felizes e quem vai decidir o desfecho deste enredo orçado em 6,5 mil milhões de euros e que tem como objecto a operadora móvel brasileira Vivo, serão os accionistas da PT que se deslocarem ao Centro de Congressos de Lisboa no próximo dia 30 de Junho pelas 10 horas.
Valores do negócio
Nos cofres dos accionistas da operadora nacional, o "charme" da Telefónica que dura desde 10 de Maio já se traduziu em ganhos de 32%. Mas na quarta-feira, os números que estarão em cima da mesa e na calculadora dos investidores serão outros. A começar pela venda de uma empresa (Vivo) que é responsável por 50% das receias do grupo português mas que no mercado, aos preços de sexta-feira, representava 85% da capitalização bolsista da PT.
Do lado do sucesso da operação, os accionistas deverão ter em atenção que com a concretização do negócio a administração da PT, liderada por Zeinal Bava, poderá utilizar parte do dinheiro para diminuir o volume da dívida da empresa que, segundo a Bloomberg, em Dezembro, era equivalente a 535% do seu capital próprio. No entanto, ao contrário do que se possa pensar, a situação financeira da empresa de Bava não está descontrolada, pelo contrário: actualmente, a PT tem dinheiro em caixa suficiente para pagar as suas responsabilidades de curto prazo (menos de 12 meses), apresenta uma taxa de dividendo de 6,7% e a rendibilidade dos capitais próprios da companhia é a mais elevada entre os seus pares: por cada 1.000 euros de capitais próprios, a PT é capaz de gerar 790 euros de lucros por ano, quando a média dos seus concorrentes é de apenas 210 euros. No caso da Telefónica, o valor é de 390 euros.
Na equação dos accionistas deverá ainda figurar o tempo que, em média, demorarão a recuperar todo o dinheiro investido na empresa (PER) e que na sexta-feira, era de 11,7. Isto significa duas coisas: em primeiro lugar, que face aos valores médios dos últimos cinco anos (PER = 12,2) os títulos da PT estão "baratos" e que, caso os lucros da companhia se mantenham constantes ao longo do tempo e forem integralmente distribuídos, os accionistas terão que esperar quase 12 anos para recuperar todo o dinheiro investido.
Análise dos especialistas
No conjunto dos 29 analistas que acompanham a PT, 15 não têm dúvidas em recomendar a "compra" dos títulos da operadora nacional e apenas 5 apresentam uma recomendação de "venda". Nas estimativas destes especialistas, os títulos da PT apresentam um potencial de valorização para os próximos 12 meses de 6,7% e os resultados operacionais (EBITDA) deverão crescer a um ritmo médio anual de 3,12% até 2014. Além disso, os analistas perspectivam que os lucros por acção da operadora nacional deverão aumentar, em média, cerca de 1,27% por ano, até 2014.
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