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Pedro Passos Coelho disse hoje que "o destino de Portugal não está decidido" e que "o nosso caminho ainda está por escrever".
No encerramento da Conferência do Diário Económico sobre os desafios do Orçamento do Estado, o primeiro-ministro argumentou que "o nosso caminho está por escrever" e que "o modelo de desenvolvimento económico de investimento público, que não dá qualquer retorno, que insistia na ideia de apoios para tudo, está a condenar o caminho ao fracasso". "O destino de Portugal não está decidido", avisou Pedro Passos Coelho.
A poucas horas do Conselho de Estado, e em véspera de um Conselho Europeu de extrema importância, Passos Coelho sublinhou que "sem solução para a crise, países como Portugal vão ter mais dificuldades", pelo que "jogamos o nosso destino em várias frentes". "Podemos fazer tudo bem em Portugal e isso não chegar para recuperar a economia, temos essa noção", alertou o Chefe do Executivo português.
Dizendo querer "mudar alguns fundamentos do regime económico" vigente em Portugal, Pedro Passos Coelho adiantou que, no âmbito do processo de reestruturação do sector empresarial do Estado, "na próxima semana vamos aprovar novas orientações sobre os gestores públicos e os gabinetes ministeriais". O governante falou mesmo num "Estado paralelo que é construído dentro dos gabinetes dos ministros" que tem de acabar.
Na sua intervenção, Passos Coelho reafirmou o motivo pelo qual a retenção dos subsídios de Férias e de Natal só incide sobre os funcionários públicos. "Podíamos ter ido pelo lado do aumento da despesa, aumentando os impostos para todos e não apenas para os funcionários públicos e pensionistas. Mas isso era aumentar a receita e não cortar a despesa, e isso seria visto como um caminho errado. Podíamos ver o nosso programa de ajuda financeira morrer em Novembro", declarou numa explicação que volta a responder às críticas de Cavaco Silva.
"Nós não temos nenhum prazer em penalizar seja quem for", continuou Passos Coelho, desafiando os críticos a apresentar soluções alternativas. "Volto a dizer que o desemprego vai aumentar e as empresas têm dificuldades de financiamento, mas precisamos dos privados para alavancar o crescimento económico", concluiu.
"Funcionários públicos vão pagar uma parte significativa do esforço"
Na mesma ocasião, o primeiro-ministro disse que a questão da "injustiça é relativa", admitindo que "os funcionários públicos vão pagar uma parte significativa do esforço. Eles e os pensionistas". Além disso, frisou, as regras na Função Pública, nomeadamente nos concursos, "serão mais leais".
Passos disse ainda que Portugal tem de apostar nas exportações para fora da Europa. "Com a Europa a arrefecer temos que olhar para a América Latina, África e Médio Oriente", sustentou.
O primeiro-ministro notou ainda que, "no essencial, não temos margem para negociar", com o PS, uma vez que, argumentou, nas opções fundamentais, o que esta no acordo com a troika não se pode negociar.
"Mas estamos abertos a toda a negociação e a todo a conversação com o parlamento e claro em especial com o PS. Era bom para Portugal podermos apresentar uma ideia de que nos objectivos fundamentais somos convergentes", frisou.
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