Em economia, chama-se PIB potencial ao valor que uma economia consegue produzir num determinado período de tempo se todos os recursos disponíveis forem utilizados de forma plena e eficiente.
A este conceito está associado um outro, o de hiato do produto, que é igual à diferença entre o PIB efectivo e o PIB potencial, medido em percentagem deste último. E o nosso PIB potencial andará próximo da estagnação.
O que é que isto significa?
Admitamos uma situação em que o produto efectivo excedesse o potencial. Neste caso, o aparelho produtivo estaria em sobreaquecimento e os trabalhadores teriam de recorrer a horas extra para satisfazer a procura. A consequência imediata seria uma enorme pressão sobre os preços, a exigir políticas contraccionistas. Isto é o que diz a teoria económica. O que nós temos é uma pressão sobre os preços em paralelo com a maior das recessões.
Admitamos agora que o produto efectivo era inferior ao potencial. Neste caso, o aparelho produtivo estaria subutilizado e, a essa luz, precisaríamos de políticas expansionistas para combater a recessão e o desemprego. Sucede que, uma vez mais, o que está a suceder é o inverso: a nossa economia está de pantanas e, como resposta, praticamos a austeridade mais violenta de que há memória em Portugal.
A teoria económica já não é o que era.
Esta imagem caótica que hoje em dia reflecte a economia portuguesa levou-me a alargar a análise ao conjunto da zona euro e também aos EUA, o que o leitor poderá acompanhar através dos gráficos abaixo. Até meados de 2008, quando a crise se iniciou, o PIB efectivo e o PIB potencial eram de valor mais ou menos equivalente, o que parecia correcto. Mas a seguir foi o caos: hoje, a Europa e a América estão abaixo do potencial, Portugal está à beira da ruptura e a Grécia não tem solução.
É um mau prenúncio. Com um PIB potencial que há vários anos não cresce, o nosso PIB efectivo deverá situar-se este ano 5% abaixo daquele potencial, o que reflecte uma enorme subutilização da capacidade produtiva. Em condições normais, o que faria sentido era estimular a procura, interna e externamente, através de políticas que nos levassem a utilizar toda a capacidade disponível. Mas aquilo que nos impuseram foi ainda mais austeridade, o que vai levar a economia a bater no fundo.
A quem serve o desperdício?
O HIATO DO PRODUTO*
| Dos grandes (PIB potencial=100) | Aos países assistidos (PIB potencial=100) |
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Fonte: Eurostat.
Até meados de 2008, o PIB efectivo e o PIB potencial pareciam caminhar de mãos dadas, tanto na Europa como nos Estados Unidos, o que parecia correcto. Mas o que veio a seguir estragou tudo, em especial na Europa. A Zona Euro está a actuar 2% abaixo do potencial; a Grécia está ligada à máquina e à espera de que desliguem; e Portugal é apenas a vítima seguinte. Se era este o objectivo da dupla Merkel-Sarcozy - ganharam!
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Daniel Amaral Economista
d.amaral@netcabo.pt
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