A maior parte das economias desenvolvidas saíram oficialmente da recessão no final de Setembro, depois de a OCDE revelar que as economias dos 30 países-membros – que representam mais de 60% do PIB mundial – cresceram pela primeira vez desde o primeiro trimestre de 2008.
Mas o director-geral do Fundo Monetário Internacional veio afirmar que os estímulos têm de ser mantidos nos tempos mais próximos porque a recuperação pode ser afectada por medidas de política erradas. Dominique Strauss-Kahn sublinhou a importância de esperar por uma retoma sustentada na procura privada, assim como por indicações claras de estabilidade financeira, antes de se retirarem as medidas de apoio à economia. O líder do FMI disse mesmo que sair dessas medidas "cedo demais pode custar mais do que sair tarde demais" e acrescentou que a economia global está "estável e a melhorar, mas ainda muito vulnerável".
As declarações de Strauss-Kahn contrastam com os avisos do Banco Central Europeu para a necessidade de se retirarem os apoios às economias. Um administrador do BCE, Lorenzo Bini Smaghi, afirmou que um atraso nas estratégias de saída dos planos de ajudas podem provocar crises futuras. Também o presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, disse, em Madrid, que as ameaças colocadas às finanças públicas pelos pacotes de apoios significam que existe uma necessidade premente de delinear estratégias de saída ambiciosas e realísticas para a consolidação orçamental. Ainda assim, Trichet foi cauteloso ao dizer que é prematuro declarar o fim da crise.
Apesar da polémica entre os responsáveis do FMI e do BCE, a maior parte dos governos parece não ter dúvidas sobre a necessidade de continuar a estimular as economias para as ajudar a sair do vermelho. Portugal não é excepção e o presidente da Confederação da Indústria Portuguesa disse ontem que existe o perigo de voltar a mergulhar na crise se forem retirados os apoios estatais às empresas. Com estas advertências, parece avisada a intenção do Governo de prolongar as garantias do Estado aos bancos, mas também a manutenção e aprofundamento de medidas de protecção social.
Agora que a pior crise económica global desde 1930 parece estar, finalmente, a ser debelada, é altura de os países pensarem em voltar a crescer acima dos 2,5% ou 3% para começarem a combater o flagelo do desemprego, o que em Portugal, de acordo com as últimas estimativas, não deverá acontecer antes de 2012. Até lá, gestores, empresários e economistas mostram-se contra o aumento de impostos sugerido pelo governador do Banco de Portugal. Também os partidos políticos da oposição e o próprio Governo se pronunciaram contra tal medida. Por isso, foi com alívio que o país ouviu ontem o primeiro-ministro garantir que não haverá agravamento de impostos até final da legislatura. Mas, o desafio que se coloca agora a Portugal é o de reduzir a despesa e aumentar a produção de riqueza para consolidar as contas públicas e para que, a prazo, não sejam necessárias medidas mais drásticas.
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Francisco Ferreira da Silva, Subdirector
franciscofsilva@economico.pt
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