Com a nossa atenção focalizada nas questões de curto prazo que, aliás o justificam, esquecemo-nos de que olhar para um prazo mais alargado é também necessário e instrutivo.
Se o fizermos, relativamente ao que tem sido a evolução económica da Europa das últimas décadas, uma constatação importante - ainda que negativa - surge com toda a clareza: é a do declínio económico da Europa.
Com efeito, o crescimento da primeira década deste século vai ser inferior ao da década de noventa, este ao da década de oitenta e assim sucessivamente até aos anos sessenta. Pior do que isso: ao apresentar nesta primeira década do século um crescimento anual médio de cerca de 1% a Europa do euro entrou num caminho que a longo prazo, não permitirá sustentar de forma minimamente equilibrada o rápido envelhecimento da população.
A evolução é tanto mais grave quanto nesta última década a Europa contou com dois alargamentos, tradicionalmente um ‘doping' com efeitos de curto prazo estimulantes para a economia europeia. Por outro lado, das cinco maiores economias europeias quatro apresentam défices significativos das respectivas balanças de pagamentos (a excepção - até quando? - é a Alemanha).
Do meu ponto de vista, duas causas fundamentais explicam este resultado. Por um lado, a liberalização demasiado rápida do comércio mundial, conjugada com instituições europeias deficientes ao nível da gestão macroeconómica. Por outro lado - e talvez mais importante - o reforço do centralismo europeu, que ao impor, nos mais diversos domínios, directivas idênticas para sociedades muito diferentes tem bloqueado as iniciativas nacionais, E, é bom recordar, sem os estados que a compõem não há Europa. Sempre me espantou a satisfação bacoca dos europeístas convictos ao falarem, com aprovação, da grande percentagem de leis nacionais que é originada em directivas europeias. Se tivessem um poucochinho de distanciamento crítico veriam que esse esmagador centralismo, que afasta cada vez mais as opiniões públicas das instituições europeias, será provavelmente o coveiro da Europa.
Olhando para experiências históricas comparáveis o destino desta Europa parece traçado. Para quem, como eu, gostava da Comunidade Económica Europeia mas não gosta da União Europeia, ou seja da Europa pós-Maastricht, poderia dizer-se que é motivo de satisfação. Não é. Não está no meu feitio o "quanto pior melhor" e sei perfeitamente que quando a hora chegar o bebé poderá ir com a água do banho. Mas também não é solução a resignação. Para nós portugueses, talvez fosse bom pensar se não deveríamos olhar para outras alternativas e reequacionar a estratégia que, desde Maastricht vimos seguindo, de diluição na Europa.
Sem nenhuma honra e - sabe-se agora - com muito pouco proveito.
____
João Ferreira do Amaral, Professor universitário
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1. Em diversos Estados Europeus discute-se actualmente este Tema ( O Declineo da Europa) . Em França , surgiu mesmo um novo termo : os "Declinistas", cujo chefe de fila é BAVAREZ.
2. Para mim, algumas das principais causas dos actuais problemas é a fraca natalidade, a ausencia de clausulas "sociais" no comércio internacional e a passagem da maior parte da R
1. ATTALI em SURVIVRE AUX CRISES , ed. Fayard, Outubro 2009, refere que a Vida quase desapareceu 7 vezes na Terra nos ultimos 650 milhões de anos. Hoje em dia, a Vida volta a estar ameaçada ( problemas ecologicos, climaticos, Pandemias, manipulações genéticas, armamentos loucos,etc.
2. Como no passado a Vida sobreviverá , DEPENDE DAS CIDADÃOS e da forma como nos organizar-mos.
3. Digamos NÃO, como ATTALI, às estrategias passivas ( renuncia do "eu ", renuncia ao Mundo, arrependimento injustificado, esperança nos outros).
4. Digamos SIM às estrategias positivas, como ATTALI, passando da exasperação `a acção politica e ,se necessário, mudemos o quadro legal dos Estados ( ver pag 137 a 146 do livro SURVIVRE AUX CRISES).
Parabéns Professor João Ferreira do Amaral: Este é um daqueles temas de extrema importância, que tão poucas vezes os Economistas se lembram. Parabéns.
O SR: PROFESSOR ;ONTEM EM SAMORA CORREIA ALGUEM QUE TALVEZ NAO SAIBA LER NEM ESCREVER DEU UM PASSO NA NORMALIZACAO DESSA EUROPA QUE O SR: FALA ;INCENDIOU OS ARMAZENS CHINESES CHEIOS DE MATERIAL :È TRISTE ;MAS SE NAO FOREM TOMADAS MEDIDAS PARA TRAVAR O AVANCO CHINES EM BREVE ESTAMOS TODOS NA MISERIA ;E NAO È PRECISO SER PROFESSOR PARA VER ISSO PORQUE JÀ SE ESTÀ A SENTIR NA PELE E DOI
Uma perspectiva que se distancia do status quo e da qual eu não discordo.
É que eu como sardinha assada e bacalhau de muitas maneiras e os nórdicos, por exemplo, comem arenque fumado!
Pois é professor, essse seu pensamento já o tenho eu há muito tempo.
Bacocamente entramos por esta Europa fora, convencidos que tinhamos resolvido, duma vez por todas, todos os nossos problemas estruturais.
Pura balela.
A nossa tendência vai ser a diluição e o desaparecimento como nação de 800 anos.
Somos historicamnte "bons" a olhar para as vírgulas ! Não é por acaso que as grandes fábricas universitárias são as Faculdades de Direito ! OLhemos para os Governos, Autarquias e Asembleia da República. Temos juristas e advogados "à fartasana" ! Nem a Justiça...consegue há décadas...ser simplesmente Justa !
O camarada professor Economista abriu a pestana. Obrigado!
O amigo schieder da silva, munique alertou para uma grande verdade.
Travão e já!
Interessante artigo e que coloca realmente o "dedo na ferida".
Os campos estão assim bem defenidos: ou se quer o progresso e o desenvolvimento = a Europa.
Ou se quer o voltar para trás - Velhos do Restelo.
Ou será que pensam que vamos sobreviver como povo actual, no orgulhosamente sós? Ou que sem a Europa conseguimos reformular o "Império"?
São estes artigos que nos dão algum alento e consolam a inteligência.
Obrigado professor.
Já agora: a UE só interessa a Portugal enquanto servir os superiores desígnios do país, se assim não fôr temos de encarar o futuro de outra forma...
Estarmos na UE para sermos engolidos pelos tubarões mundiais e ser objecto das negociatas dos grandes da Europa, não interessa a Portugal...
No início da adesão de Portugal à UE, já o PCP alertava para a ilusão que todos, um dia, iriamos pagar. Alguém ligou a esse aviso????
o "acquis" comunitário, a peça jurídica com mais de 60 mil páginas que é o edifício jurídico da UE, existe desde o tempo da CEE e se é essa sua tese, que estas leis é que provocam a queda da Europa, baseia-se numa mão cheia de leis, e de nada. Depois refere que a globalizºão foi a prca da Europa. por demasiado rápida. Por acaso, ou não,a Europe foi e é o grande impulsionador da globalização e o seu beneficiário nº1. Se peretendem só dizer mal, então escolham local do mundo com melhor qualidade de vida do que a Europa: Não há. Refere de passagem que a Alemnha é o único país com as contas do comércio e do investimento equilibradas. Se contar os activos financeiros do reino unido, o 2º maior investidor, depois da China, nas OT's americanas, também tem equilibrío nas contas, E resta refereir que a Alemanha é o mair exportador do mundo, ainda à frente da China. A Alemnha tem 80 milhões de habitantes e a Chuna 1.200 milhões. È esta a diferença. As outras são o modelo social e o facto da população estar a diminuir, o que trnasforma o tal 1% do crescimento do PIB algo que tem mais valor, vale mais per capita, do que o crsecimento do PIB na China ou nos EUA. Tese fraca, sem consistência, baseada naquilo que lhe apetece e sem qualquer validade com a realidade. Reveja.
MMartins-Sintra
A maioriria dos politicos europeus (mais de 90%) têm todos o mesmo discurso catastrofista relativamente à europa para amedrontar toda e qualquer tentativa de ter uma reflexão diferente. Entre outros chavões que se ouvem constantemente podem-se citar: Se sairmos da europa será uma catástrofe pois induzirá a uma crise de confiança que abalará todo o país..... Nós não temos possibilidade de sobrevivermos sózinhos..... O nosso distino é a europa..... A construção europeia está legitimada pelo sofrágio universal...... Meus amigos tudo isto não passam de balelas.... A meu ver devemos começar a esboçar um plano B, pois esta europa além de estar podre quanto a mim não vai ter sucesso.... É só direitos mas direitos das multinacionais não dos cidadãos.... a nível internacional a situação é péssima pois deixou-se entrar toda a espécie de mercadorias sem um minimo de negociações a nível dos direitos dos trabalhadores ou seja puro dumping social... a nível de direitos hoje tudo é permitido toda e qualquer coisa paradoxal ou perversão é aceite em nome da liberdade...enfim esta europa tal como está não se vai aguentar muito... será uma implosão ... como a ex-União soviética...