O debate, muito pascal, não teve nem momentos de tensão, nem grandes rasgos políticos.
Para quem esperava um novo estilo de combate político, trouxe apenas, em nova edição, mais polida e sem incidentes, a desvalorização dos temas do Governo, por parte das Oposições. Só que desta vez o tema é central para a saída da crise. Crescer nas exportações é mesmo a única saída, a menos que alguém prefira o abandono do Euro com o seu longo e negro cortejo de violência social e económica. Todos sabiam do tema, com antecedência para se prepararem. Nele apenas o PCP tocou e de modo pífio, queixando-se de atrasos de pagamentos de subsídios para PME irem a feiras em Luanda, de pronto desmentidos por informação dos serviços, em tempo real. As Oposições preferiram política à antiga, espingardeando sobre tudo o que lhes parece negativo para o Governo, sem cuidarem de ser alternativa. As Oposições, no debate, interiorizaram que se vão manter como tais por mais alguns invernos.
É certo que Branquinho era ainda apenas interino e Portas parecia sem vontade de ser agressivo. O primeiro cumpriu os mínimos, sem fazer a diferença. Se tivesse rasgado novos caminhos de oposição por ideias novas e não pelos habituais ataques sempre reversíveis e nem sempre fundados (crítica às privatizações, economia do mar à deriva e a sempre eterna reforma da administração), teria marcado pontos. Assim apenas preencheu a vaga. Louçã perdeu-se no dogma de não privatizar e deixou-se embrulhar na separação entre infra-estrutura e concessão. O mais religioso, Jerónimo, rasgou vestes e cabelos protestando contra a disciplina do défice, dando dos comunistas mais uma ideia de despesismo e irresponsabilidade (será que Alegre pensa como eles?). Para Sócrates foi quase fácil. Apareceu de novo como o que pensa no futuro dos portugueses.
E, todavia, o futuro colectivo não é brilhante, com a ameaça de Passos Coelho romper o consenso sobre Orçamento e PEC. Tudo o que de mau pode acontecer, às vezes acontece, até uma eventual crise de adolescência política. Tal como na vida real, Governo e Grupo Parlamentar terão que usar de infinitas cautelas e muita inteligência. Não bastam talentos diplomáticos. É necessário muito mais, inclusive tolerância, paciência e pedagogia. É certo que Passos Coelho não tem imagem de trauliteiro, nem de rasgador de promessas. Com coragem, apresentou-se à direita de Rangel. Vem ungido por larga maioria e por uma longa preparação. Pode ser que se revele um adolescente político, mas pode ser também um adversário de respeito. O país precisa de uma boa Oposição.
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António Correia de Campos, Deputado do PS ao Parlamento Europeu
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