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Miguel Coutinho

O debate do nuclear não pode ficar refém de um preconceito

05/04/10 00:01 | Miguel Coutinho 



Um manifesto – que reúne figuras como Campos e Cunha, Alexandre Relvas, Henrique Neto, João Duque, João Salgueiro e Mira Amaral –, propõe a reavaliação da política energética do país.

Entre outras verdades, o manifesto chama a atenção para o impacto do custo da energia na competitividade das empresas e relança o debate em torno do défice tarifário (só em 2009, este é superior a 200 milhões de euros) e da insustentabilidade de uma aposta exclusiva nas energias renováveis, um projecto notável que continua, porém, a ter um elevado custo de subsidiação. O que está subjacente a este manifesto é a necessidade de colocar na agenda o tema da energia nuclear. Há um consenso de que é inevitável a diminuição da dependência dos combustíveis fósseis, sobretudo do petróleo, mas, continua a não ser politicamente correcto afirmar que, a par das energias renováveis, a promoção da eficiência energética passa pela aposta na energia nuclear. No entanto, a preocupação planetária com a segurança do abastecimento de energia e com o aquecimento global tem levado muitos países, como a Suécia e a Itália, a terminarem as suas moratórias nucleares, e outros, como a França, a Finlândia e o Reino Unido, a construírem novas centrais mais modernas e mais seguras. O debate é importante também em Portugal e deve ser uma obrigação dos partidos políticos. As centrais nucleares são ou não seguras? Diminuem ou não a nossa dependência do gás natural e do carvão? A introdução da energia nuclear é ou não compatível com a aposta nas renováveis, dando tempo para uma maior sofisticação tecnológica? Em 2008, a European Physical Society, que representa mais de 100 mil físicos europeus, defendeu a utilização da energia nuclear para fins pacíficos. O debate em Portugal não pode ficar refém de um preconceito.

Os beneficiários

A Caixa Geral de Depósitos, a quem compete a nomeação do presidente do conselho de administração da Cimpor, terá deixado cair o nome do ex-ministro Mário Lino. A ser verdade, a própria Caixa é a maior beneficiária da decisão, afastando, neste caso, a percepção de que funciona como correia de transmissão do Governo. O outro beneficiário é Mário Lino, que apesar de gostar de um bom confronto, iria passar boa parte do seu mandato a explicar porque estava ali.

 




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