As últimas perspectivas do Banco de Portugal apenas confirmaram o que todos suspeitávamos: em 2009, a economia vai bater no fundo; depois, quando a retoma chegar, ocuparemos a cauda do pelotão.
Na origem deste descalabro está a procura interna, em especial o investimento. As exportações também caíram a pique, mas foram compensadas por igual declínio nas importações. Objectivo imediato: é preciso relançar o crescimento económico. Como?
Olhando a economia pelo lado da despesa, o consumo é de 85% do PIB, o que deixa para a poupança apenas 15%. Mas o investimento é de 22%, o que desde logo suscita o problema do financiamento dos 7% restantes. É conhecida a prática corrente: na ausência de poupança interna, recorremos à poupança do exterior, endividando-nos até ao pescoço. Precisamos de aumentar a poupança.
Os 7% que nos faltam para equilibrar as contas aparecem reflectidos no comércio externo, através da diferença entre exportações (33%) e importações (40%). Este défice tem de ser anulado e o bom senso sugere que o façamos através aumento das exportações. Aqui as frentes de ataque são duas: é preciso reduzir os custos, para melhorar a oferta - um problema nosso; e é preciso eliminar a crise, para aumentar a procura - um problema dos deuses da economia.
Resta-nos o investimento e o seu peso no PIB. Há 10 anos, era de 26-27%, valor que depois baixou para os 22%. Já o da zona euro estabilizou nos 20-21%. Mas, ainda que investindo menos, a Europa sempre cresceu mais do que nós, o que sugere esta leitura fatídica: afinal, o nosso investimento é mau; precisamos de melhorar o seu efeito multiplicador. Eis os pilares de um bom modelo: a poupança, o investimento e as exportações.
Por aquilo a que nos tem sido dado assistir, o PS aposta forte nas exportações e no investimento, mas é omisso em relação à poupança, talvez porque de sacrifícios é preferível não falar. O PSD é um caso patológico: critica tudo, mas não dá uma única pista que nos leve a perceber como pensa fazer melhor. E os outros partidos estão na maior: como jamais serão governo, usam a demagogia para prometer a Lua, porque não correm riscos de incumprimento.
O debate político está como o país: pobre, tristonho e desinteressante.
d.amaral@netcabo.pt
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Daniel Amaral, Economista
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