A tentativa de desvalorizar a ausência do ministro das Finanças da cerimónia de comemoração do 25 de Abril não escondeu o óbvio: o governante deixou de ser “persona grata” na estratégia de comunicação do Governo e do Partido Socialista.
O responsável pelas contas do Governo é um rosto que não "vende". Percebe-se bem porquê: as revisões dos números macro da nossa economia já são tantas, que até se torna difícil escolher as mais significativas do enorme descalabro em que se tornou a governação do Executivo de José Sócrates. A mais recente rectificação do défice de 2010, pesem as explicações "técnicas" entretanto ensaiadas, é mais um falhanço que nos deixa envergonhados em qualquer fórum internacional.
O ministro das Finanças, que durante alguns anos até deixou passar uma imagem de competência técnica, é hoje o bode expiatório de uma política económica desastrosa que faz com que Portugal seja apontado internacionalmente como o único pais no Mundo que não vai crescer em 2012 - o "único", pasme-se! E o discurso socialista, infelizmente seguido por muitos ‘opinion maker', além de tentar eliminar este facto do espaço mediático, rapidamente esqueceu a teoria da conjuntura internacional e das "aflições" de outros países para se defender do óbvio fracasso da sua gestão governativa.
Mas não é só Teixeira dos Santos que é vítima de ostracismo, patente no afastamento das listas de candidatos a deputados. Também o ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, ficou ausente das eleições do próximo dia 5 de Junho. Desta vez com óbvio aplauso para o próprio. O responsável pela pasta das relações internacionais compreendeu há mais tempo o rumo em que o País entrou e em diversas ocasiões distanciou-se, quase sempre do estilo mas também da substância, da orientação política do primeiro-ministro.
A gigantesca encenação do recente "mega-comício-congresso" socialista de Matosinhos pode ter sido um momento empolgante para os militantes socialistas presentes, mas o ‘day after' é doloroso, rapidamente o entusiasmo se vai esfumando e os sinais de desagregação no PS existem e vão tornar-se mais visíveis à medida que a realidade se vai impondo à propaganda.
Após seis anos de Governo PS, só Irlanda, Grécia e Espanha registaram défices orçamentais mais elevados que Portugal no ano passado - o Governo anunciou 6,9%, o INE rectificou para 8,6% e agora o Eurostat confirma 9,1% do produto interno bruto (PIB) ; na dívida pública, Portugal já vai em 93% do PIB (14.334 euros por habitante), bem acima dos 82,4% avançados em Março; somos o único País no Mundo que não cresce, o desemprego apresenta números recorde na nossa Democracia, a desconfiança dos cidadãos face aos políticos nunca foi maior...
Por muitos bodes expiatórios que se tente arranjar ou por muitas entrevistas ou intervenções que os governantes façam, a responsabilidade política pelo desastre tem um rosto: José Sócrates.
____
Marco António Costa, Vice-presidente da Comissão Politica Nacional do PSD
Comentários (8)
Publicidade
Acções do PSI 20




