Saiba como escolher o fornecedor de electricidade mais barato

Ana Maria Gonçalves
Saiba como escolher o fornecedor de electricidade mais barato

Algumas famílias vão perder as tarifas reguladas de electricidade e gás a partir de Junho.

As famílias com grandes consumos de electricidade e gás natural e os pequenos clientes empresariais deixarão de beneficiar de tarifas fixadas pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) dentro de quatro meses, a partir de 1 de Julho. Por esta data, o regulador fixará uma tarifa transitória, até ao final de 2015, para permitir uma saída gradual destes consumidores para o mercado liberalizado, os quais terão de procurar novos fornecedores de electricidade e gás natural.

Estão neste grupo todos aqueles que tenham potências contratadas de electricidade superiores a 10,35kVA ou com consumos anuais de 500 metros cúbicos no gás.

Para facilitar este movimento, a ERSE deverá estipular uma tarifa superior à praticada no mercado liberalizado.

Ao Diário Económico, fonte oficial da ERSE esclarece que "as tarifas transitórias continuarão a reflectir os custos da energia e deverão incorporar um mecanismo de incentivo ao consumidor para que este efectue as suas escolhas de comercializador no âmbito do mercado livre".

A segunda fase de extinção das tarifas reguladas, que arrancará a 1 de Janeiro de 2013, abrangerá os consumidores domésticos de electricidade e gás natural, ficando assim completo o processo de liberalização imposto pela ‘troika' no âmbito do plano de ajuda financeira.

Estas datas são, por enquanto, indicativas. As portarias que vê regular as medidas já foram aprovadas pelo Governo em Conselho de Ministros mas aguardam ainda publicação oficial.

Inquestionável, é o reduzido número de comercializadores com ofertas no mercado liberalizado para os clientes domésticos. Da lista de sete fornecedores registados, apenas a EDP Comercial e a Endesa têm propostas para este segmento. E no gás natural, cujo mercado continua a ser controlado pela Galp, o panorama é idêntico. A única concorrente da petrolífera é a EDP Gás.

A estratégia das empresas passa agora por conjugar ofertas de electricidade e gás natural para os seus clientes domésticos. A Galp começou recentemente a dar os primeiros passos nesta área. Mas a EDP já o faz, há mais tempo, na região Norte, através da Portgás, onde conta com cerca de cinco mil clientes de gás e electricidade.

O objectivo da eléctrica liderada por António Mexia é alargar ao resto do território esta proposta comercial conjunta. Um objectivo que o administrador da EDP, Cruz de Morais, em declarações ao Diário Económico, admite concretizar, ainda este ano. Com cerca de 300 mil clientes de electricidade no mercado liberalizado, a que soma mais 120 mil angariados no âmbito da campanha acordada com o Continente, o alvo são 500 mil, a partir do próximo ano.

Mas apesar da oferta reduzida de propostas para o mercado liberalizado, as famílias começam a deixar-se seduzir pela mudança de comercializador. Segundo a ERSE, os dados revelam que, no segmento doméstico, o crescimento mais significativo tem sido registado pela Endesa - que em Dezembro de 2011 possuía já uma quota de 15,7%, contra os 6,7% que detinha um ano antes.

Novo Plano Estratégico para a Energia
O Ministério da Economia deverá apresentar nas próximas duas semanas o Plano Estratégico para a Energia, um documento que contemplará já as orientações da ´troika' no que toca aos cortes das chamadas rendas excessivas. Um tema que voltou a estar recentemente no centro da polémica entre o Ministério da Economia e o primeiro-ministro, Passos Coelho. Mais concretamente, as compensações financeiras que as suas centrais da EDP recebem, tendo o chefe do Governo defendido que as regras de regulação em vigor, antes da privatização da empresa, são para manter.

Declarações que contrariam, não só a posição assumida publicamente pelo secretário de Estado da Energia, Henrique Gomes, como os compromissos assumidos por Portugal com a ‘troika', no âmbito da reestruturação do mercado energético. Em causa estão as rendas excessivas que os produtores de electricidade recebem no âmbito dos contratos de aquisição de energia, custos de manutenção do equilíbrio contratual, cogeração e renováveis.

Quem tem ofertas conjuntas

EDP
A EDP propõe-se alargar, a todo o território, a sua oferta comercial conjunta para os clientes domésticos de electricidade e gás natural, ainda este ano. Actualmente já o faz na Portgás, na região Norte, onde conta com cerca de cinco mil clientes. A dificultar a rapidez do processo estão questões técnicas relacionadas com a mudança de comercializador, que a empresa espera ver resolvidas nos próximos meses.

Gas Natural Fenosa
O grupo espanhol promete em breve apresentar uma oferta conjunta, de gás e electricidade, para os consumidores domésticos. A garantia foi dada recentemente ao Diário Económico pelo seu director de comercialização ibérica, Nemésio Maneiro. Na comercialização de electricidade e gás, o grupo espanhol tem actualmente uma presença muito reduzida e exclusivamente focada para as empresas.

Endesa
A Endesa é actualmente o único concorrente alternativo à EDP Comercial para o segmento dos clientes domésticos de electricidade, com tarifas liberalizadas. Tem adiado a oferta de uma proposta comercial conjunta para as famílias de gás e electricidade, alegando contrangimentos à importação de gás natural e condições de mercado pouco atractivas.