“É mais fácil negociar com um país onde há consenso político”

Eudora Ribeiro
“É mais fácil negociar com um país onde há consenso político”

Teresa Ter-Minassian diz que muitos dos problemas que Portugal tinha em 1983 “ainda são relevantes”.

A economista que chefiou a missão do FMI em Portugal há 28 anos considera que os actuais problemas do país "não são assim tão diferentes" da realidade de 1983. Contudo, os instrumentos para os enfrentar terão de ser outros. Teresa Ter-Minassian, em entrevista telefónica ao Diário Económico, defende que é mais "é mais fácil negociar com um país onde existe um claro consenso político", mas garante que o FMI "tem sido capaz de lidar com países em transições políticas", dando como exemplo o Brasil. "O que o FMI tenta fazer é falar com um largo número de responsáveis políticos e tenta conseguir uma garantia razoável de que o for acordado agora será cumprido pelo Governo seguinte".

A responsável, que agora é consultora económica independente, sublinha que existe falta de poupança nacional, falta de competitividade da indústria e que, apesar das contas públicas já estarem "a melhorar", "ainda estão bastante desequilibradas".

Os conflitos internos entre os principais partidos estão a dificultar as negociações?
Certamente é mais fácil para o FMI e para a União Europeia negociar com um país onde existe uma claro consenso político sobre as medidas que precisam de ser adoptadas, mas talvez esteja a ser mais difícil porque algumas destas medidas implicam reformas estruturais que vão além da estabilização de curto prazo e, além disso, precisam de assegurar que o esforço será para continuar depois das eleições de um novo Governo, do qual não sabemos qual será a cor, ideologia ou composição. Mas o FMI tem sido capaz de lidar com países em transições políticas, como foi o caso do Brasil em 2002, por exemplo. O que o FMI tenta fazer é falar com um largo número de responsáveis políticos e conseguir uma garantia razoável de que o for acordado agora será cumprido pelo Governo seguinte.

Para quando esperar um alívio dos mercados em relação a Portugal?
Talvez depois de acordado um bom programa, que pareça convincente, promovendo não apenas a estabilização de curto prazo mas também a recuperação do crescimento e que envolva toda a situação do país, incluindo a orçamental, de forma a que se torne sustentável no médio prazo.