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Análise

Novidades dos bancos centrais e dos dados económicos mais recentes

Agostinho Leal Alves, do Departamento de Estudos Económicos e Financeiros do BPI  
22/06/12 15:47


Das reuniões do Banco de Inglaterra e da Reserva Federal saíram perspectivas de mais liquidez para o sistema financeiro. E os dados económicos mais recentes em vários quadrantes confirmam uma situação de abrandamento económico, aparentemente mais forte.

As actas da última reunião do Banco de Inglaterra surpreenderam o mercado, sugerindo que em breve este banco central poderá alargar o programa de compra de dívida pública. De facto, a votação da decisão de manter o montante do programa de compra de dívida pública nos actuais 325 mil milhões de libras foi renhida, observando-se 4 votos a favor de um aumento contra apenas 5 votos a favor da sua manutenção. A deterioração das condições económicas e financeiras e os sinais de desaceleração do ritmo de crescimento dos preços no consumidor justificavam uma maior abertura ao alargamento dos programas de cariz não quantitativo. Neste sentido refere-se a queda da taxa de inflação para 2.8% em Maio, um mínimo dos últimos 2.5 anos e a decisão extraordinária desta autoridade monetária, anunciada no final da semana passada, de realizar leilões mensais de linhas de financiamento de pelo menos 5 mil milhões de libras, cujo custo será de 25 pontos base sobre a taxa repo, actualmente em 0.5%. O prazo destas linhas é de seis meses. O primeiro leilão de 5 mil milhões de libra já foi realizado, tendo sido colocado na totalidade.

Por sua vez, a Reserva Federal (Fed) decidiu na reunião do seu comité monetário manter a indicação de que o intervalo da taxa dos fed-funds continuará em 0-0.25%, até finais de 2014, e prolongou o programa de troca de dívida pública com prazos mais curtos por títulos com maturidades mais longas, até ao final deste ano. A decisão da Reserva Federal ficou aquém da média das expectativas do mercado que antecipava a possibilidade deste banco central adoptar um novo pacote de compra de dívida pública. Inicialmente, os mercados bolsistas norte-americanos não reagiram bem às conclusões FOMC já que, para além da extensão da operação Twist, não avançou, pelo menos para já, um terceiro programa quantitative easing (QE3). No entanto, posteriormente verificou-se uma acalmia, com o Presidente Bernanke a não excluir a possibilidade de avançar para o QE3, no caso de agravamento do cenário económico norte-americano. A Fed também divulgou previsões mais baixas para o crescimento do PIB em 2012. O possível intervalo de variação anual do Produto é agora de 1.9% a 2.4%, sendo o anterior considerado demasiado optimista (2.4% a 2.9%). Por outro lado, a taxa de desemprego deverá manter-se entre 8.0% e 8.2%. Entretanto, o índice do Fed de Filadélfia, que mede a actividade industrial, voltou a indicar uma contracção em Junho, tendo passando de -5.8 para -16.6 pontos.

Neste ambiente em que a situação económico-financeira no mundo está sob forte escrutínio, tem sido seguida com igual importância a evolução na China. E cada vez mais se confirma a actual fase de abrandamento económico, que as autoridades tentam contrariar com uma política monetária cada vez mais expansionista. Assim, em Junho, a actividade industrial chinesa manteve-se em contracção pelo oitavo mês, tendo o índice PMI (Purchasing Managers Index) caído para 48.1 pontos.

Na Zona Euro, o índice PMI da actividade global (manufactura mais serviços) manteve-se em 46.0 pontos (igual a Maio), ainda assim um valor indicativo de contracção. O maior contributo é da indústria, com o índice a cair para 44.4 pontos. Por outro lado, a confiança dos consumidores estabilizou em Junho, verificando-se um valor de -19.6, contra os -19.3 de Maio.

Entretanto, no âmbito do G-20, foi reafirmado que os países da Zona Euro tudo farão para defender a União Económica e Monetária (UEM) e a moeda única, havendo a intenção de se considerar um sistema financeiro mais integrado, com uma nova união bancária europeia, que inclua um supervisor único, capacidade para liquidar e recapitalizar entidades e um único fundo de garantia de depósitos. A médio/longo prazo, este caminho deverá trazer maior suporte ao valor do euro.

 




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