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Tecnologia

Nova vaga de ‘tablets’ invade Europa

Cátia Simões  
18/02/11 09:30

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Cerca de 60 mil visitantes passaram pelos corredores do Mobile World Congress, em Barcelona. ‘Tablets’ e ‘smartphones’ dominam as últimas novidades.

Fotografam ‘smartphones' como quem capta a Sagrada Família de Barcelona e acotovelam-se diante do mais recente ‘tablet' como se fosse a tela da Mona Lisa. Os visitantes asiáticos do Mobile World Congress (MWC), que arrancou segunda-feira, dia 14, e termina hoje, 17, em Barcelona (Espanha), substituíram as máquinas fotográficas topo de gama por telemóveis com câmaras de alta resolução, mas nem por isso captam menos imagens ou deixam de se entusiasmar com as novidades de marcas como LG, Samsung ou Sony.

"É pouco tempo para ver tudo, mas estou muito contente por estar aqui", diz Yeon Gu, natural de Taiwan, de 27 anos, enquanto fotografa com um HTC Desire a nova versão do Samsung Galaxy Tab, com ecrã de 10 polegadas e sistema operativo Honeycomb da Google. Os visitantes acotovelam-se à frente das novidades - e pelos corredores - e tentam experimentar os equipamentos, sob um calor sufocante, que contrasta com o tempo chuvoso de Barcelona. "Se queremos ver as novidades, é aqui que temos de vir. Além disso, temos de manter-nos atentos à concorrência", defende, num inglês difícil. Yeon não quer dizer onde trabalha, limita-se a sorrir e a perguntar de onde vimos. A resposta deixa-o confuso.

"Portugal?...", longos segundos de silêncio para logo abrir um sorriso de orelha a orelha: "Cristiano Ronaldo!"

Não são só os asiáticos que se entusiasmam a fotografar as novidades. O MWC estima que cerca de 60 mil visitantes tenham passado pelos corredores nos quatro dias de feira, a grande maioria ‘techies' por lazer ou por razões profissionais, grandes nomes do sector e das telecomunicações e ainda um sem número de jornalistas. Os visitantes percorrem os 60 mil metros quadrados da feira, por onde se espalham os 1.300 expositores.

Os que vão "para ver" concentram-se no pavilhão 8, onde os ‘stands' da LG e da Samsung estão sempre cheios de curiosos ansiosos por experimentar as últimas novidades. Pelos corredores, os visitantes sentam-se encostados às paredes, de portátil ou ‘tablet' no colo. A falta de cadeiras para o descanso de quem passou muitas horas de pé entre telemóveis, adereços e palestras sobre mobilidade, é flagrante. "A feira este ano está melhor que o ano passado. Mas como tem mais expositores tem menos espaços para nos sentarmos", diz a espanhola Pilar Hernandez, 32 anos, sentada com o namorado à porta do pavilhão 7. Vieram por causa das aplicações, "uma feira dentro da feira", e por isso não carregam o portátil, substituído por um saco cheio de brochuras e alguns (poucos) brindes. E, contrariando o hábito espanhol, almoçam ao meio-dia, para fugir às filas que se avoluma à porta dos restaurantes dali a poucos minutos.

Bilheteira restrita, mas rentável
No ano passado, o MWC recebeu 49 mil visitantes, um valor que ficou acima das expectativas . Este ano, só com a bilheteira, segundo dados da imprensa internacional, as receitas devem ultrapassar 200 milhões de euros. Mas o elevado preço do passe de quatro dias (a partir de 649 euros, mas que pode chegar aos dois mil) tem tornado o evento cada vez mais restrito. "Tornou-se uma feira elitista, mas não conheço mais nenhum evento do género no mundo onde o administrador tecnológico ou até o presidente executivo de uma multinacional ande tranquilamente pelos corredores", diz Sérgio Silvestre, vice-presidente de marketing e alianças da WeDo Technologies.

Apesar de elitista, o certame não deixa de ser concorrido: a conferência da Microsoft, com a presença do presidente executivo Steve Ballmer, esgotou três semanas antes do evento, mas quem esperava grande revelações saiu desiludido: a tecnológica enalteceu a parceria com a Nokia, anunciou novidades no Windows Phone 7 e a conectividade entre telemóveis e Xbox. Na apresentação da LG, a sala para 300 pessoas esgotou, obrigando muitos curiosos a ficar de pé para ver a revelação do novo ‘smartphone' da sul-coreana, o Máximo 3D.

Mas nem só de ‘gadgets' vive a feira: os maiores operadores de telecomunicações aproveitam para discutir a necessidade de cobrar uma taxa à Google pela utilização da infra-estrutura móvel e destacam o arranque comercial do WAC, uma plataforma aberta para desenvolver aplicações para os operadores. E as conversas em torno do LTE, conectividade e convergências saltam dos auditórios onde decorrem as conferências para os ‘stands' e corredores, onde os gestores de topo espreitam a concorrência e distribuem sorrisos, apertos de mão e cartões de visita.


Os principais ‘gadgets' apresentados no maior evento europeu de comunicações móveis:

‘Smartphones' para todos os gostos
O MWC é um corropio de lançamentos e novidades. Desde domingo, dia de pré-feira, que os fabricantes começaram a apresentar aos jornalistas os mais recentes equipamentos. A Samsung mostrou a nova versão do Galaxy S - o Galaxy S II -, com sistema operativo Android e ‘dual-core' (dois processadores), aumentando a rapidez de navegação. A Sony-Ericsson finalmente revelou o telemóvel conhecido como Playstation Phone: o Xperia Play tem um comando destacável e irá disponibilizar cerca de 50 jogos - chega em Março. A LG foi protagonista de um dos maiores ‘hypes' do certame, com o lançamento do LG Maximo 3D, o primeiro ‘smarthpone' com tecnologia 3D que não necessita de óculos. A HTC apresentou o ChaCha e o Salsa, focados em redes sociais e a Acer mostrou o Iconia Smart, de 4,2 polegadas, que foi apelidado de ‘tablet' pequeno. Já a Nokia começou a fazer valer a parceria estratégica com a Microsoft, revelando que o primeiro equipamento com sistema operativo Windows Phone 7 é lançado ainda este ano.

O ano de todos os ‘tablets'
Se em 2010 já se tinha começado a adivinhar esta tendência, 2011 é efectivamente o ano dos ‘tablets', equipamento popularizado pelo iPad da Apple (que, como já é habitual, não esteve presente no evento). A Samsung mostrou a nova versão do Galaxy Tab, de 10,1 polegadas, e a LG o Maximo Tab, de 9,3 polegadas e com imagem 3D (e óculos incluídos). HP, HTC, RIM, Toshiba e Acer também revelaram os seus ‘tablets', todos com sistema operativo Honeycomb, desenvolvido pela Google especificamente para estes equipamentos. O Flyer da HTC, de 7 polegadas, permite escrita cursiva (como se estivéssemos a escrever em papel) e a oferta da Acer vem a dobrar: a fabricante apresentou uma versão de ‘tablet' de 7 polegadas e outra de 10,1 polegadas. Também o Xoom, da Motorola, captou as atenções com o esperado equipamento de 10,1 polegadas, que chega ao mercado ainda este mês. Já a Toshiba mostrou uma versão melhorada do Folio.

Google é a preferida e a mais polémica
O sistema operativo Android (para ‘smartphone') e Honeycomb (para ‘tablet') foi a opção de praticamente todos os fabricantes para os equipamentos apresentados no MWC. Mas a Google, apesar do sucesso dos seus sistemas operativos, continua polémica. A tecnológica foi alvo de críticas dos maiores operadores de telecomunicações - Telefónica, Vodafone, Telecom Italia, Orange e Deutsche Telekom. As empresas reuniram no evento para reivindicar que a Google deve pagar uma taxa pela utilização da rede, já que o aumento exponencial do tráfego se deve em grande parte a estas novas empresas. A tecnológica criticou ainda a parceria entre a Nokia e a Microsoft. Na sua apresentação no evento, Eric Schmidt, presidente executivo da empresa, considerou que a Nokia "fez uma má escolha" quando decidiu juntar-se à Microsoft para renovar a sua estratégia no mercado móvel. E aproveitou para convidar a Nokia a usar o Android no futuro. "Gostaríamos que a Nokia adoptasse no Android em algum momento e esta é uma oferta que se manterá aberta".





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