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O deputado do PSD José Pedro Aguiar-Branco defendeu hoje a necessidade de eleições depois do pedido de demissão do primeiro-ministro.
Em declarações à Lusa, o ex-líder da bancada parlamentar social-democrata afirmou ser "previsível" o pedido de demissão, defendendo que "é realmente do interesse nacional que haja uma mudança do Governo".
"A confiança não existia, o Governo tinha mostrado ao longo destes últimos meses que andava à deriva. A desconfiança tinha a consequência de, não obstante os vários PEC que foram sucessivamente aprovados, não tinham resultados no que diz respeito à diminuição do custo dos juros que estamos a pagar pelo nosso endividamento externo, que é da responsabilidade primeira do próprio Governo", condenou.
Para Aguiar-Branco "em democracia é normal que as situações se resolvam com eleições".
"Eu acredito que a solução serão as eleições porque não há nenhuma solução em Portugal com o Eng. Sócrates que seja confiável e portanto qualquer situação que passe por consenso precisa que haja confiança entre as partes para além daquilo que são os conteúdos", explicou.
Assim, para o deputado do PSD "não é confiável o primeiro-ministro e portanto não é possível um entendimento com este PS liderado pelo Eng. Sócrates".
"Não é o Governo o titular daquilo que é o interesse nacional, pelo contrário, o Governo tem mostrado que a sua leitura do interesse nacional é errada", sublinhou.
Segundo Aguiar-Branco, no Parlamento há "a consciência que o interesse nacional reclama que se mude de Governo", recusando a ideia de ser "uma questão partidária".
"É o próprio interesse nacional que aponta para a necessidade de mudarmos de Governo", realçou.
O primeiro-ministro, José Sócrates, apresentou quarta-feira a demissão ao Presidente da República por considerar que ficou sem condições para governar, depois de o Parlamento ter aprovado resoluções de rejeição de toda a oposição ao chamado PEC 4 proposto pelo Governo.
O pedido de demissão de José Sócrates foi anunciado pela Presidência da República que, contudo, salienta que o Governo se mantém "na plenitude de funções até à aceitação daquele pedido". Cavaco Silva irá promover sexta-feira audiências com os partidos com assento parlamentar.
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