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11/06/12 00:02
Francisco Murteira Nabo

Na hora da verdade

Francisco Murteira Nabo

Todos nos sentimos muito felizes por constatar que os líderes e os mais mediáticos protagonistas dos vários países europeus, incluindo o nosso, perceberam, finalmente, o que há longo tempo a grande maioria dos economistas e outros especialistas vinham afirmando (...)

Todos nos sentimos muito felizes por constatar que os líderes e os mais mediáticos protagonistas dos vários países europeus, incluindo o nosso, perceberam, finalmente, o que há longo tempo a grande maioria dos economistas e outros especialistas vinham afirmando: a) que é necessário um reforço autêntico e acelerado da união económica e monetária europeia e b) que se torna urgente tomar medidas quanto ao crescimento económico porque, só por si, as medidas de austeridade não resolvem a grave crise que atravessamos. Mais vale tarde do que nunca, diz o ditado...

Só que a Europa confronta-se agora com um novo e difícil dilema: Mas de que União Europeia se está a falar?

Estamos a falar de uma União Europeia com contas consolidadas - assentes na aceitação de uma política de transferências - orçamentos e políticas fiscais harmonizadas, real integração económica que aumente a competitividade externa do bloco europeu e elimine o protecionismo, políticas de solidariedade que conduzam a uma efetiva aproximação das economias dos países da comunidade, fortalecimento de uma união política com a aceitação do princípio da progressiva transferência de soberania para órgãos supranacionais e, finalmente, a consolidação do modelo social europeu - ajustado é certo por razões de equilíbrio das contas públicas e redução do endividamento - mas sem desvirtuamento dos seus princípios fundamentais?

Se a resposta for positiva estaremos no caminho certo e a Europa recuperará a médio prazo a sua competitividade global, a estabilidade orçamental e financeira e o seu papel como grande potência mundial. Caso contrário estaremos a assistir ao fim do projeto europeu como foi pensado no seu início.

Não vamos precisar de muito tempo para saber qual a resposta que a Europa irá dar à questão levantada, dado que se avizinham situações às quais não será possível deixar de responder, de uma maneira ou de outra. Com efeito as últimas sondagens na Grécia levantam as maiores dúvidas sobre o aparecimento de uma solução politicamente estável na 2ª volta das eleições, obrigando a Europa a definir-se sobre que tipo de compromisso está disposta a aceitar. Por outro lado torna-se cada vez mais difícil de acreditar que a Espanha não venha também a ser obrigada a recorrer a um resgate. O mesmo poderá acontecer com outros países europeus no curto prazo.

E em que medida é que as politicas de austeridade aplicadas em países como Portugal contemplam o crescimento e não estão a por em causa o modelo social europeu? A meu ver aproximam-se de modelos sociais que pouco têm a ver com o modelo social que a Europa havia traçado na fase da sua constituição. Confesso que apesar das recentes manifestações de boas intenções a prática dos líderes europeus dos últimos anos não augura bons ventos...
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Francisco Murteira Nabo, Economista

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