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A notícia da fuga de Kadhafi da Líbia surge numa altura em que os protestos anti-regime se alastram à capital do país, Tripoli.
O Presidente da Líbia terá deixado o país rumo à Venezuela, avançou ontem à noite a agência de notícias chinesa Xinhua, citando a televisão Al-Jazira.
Porém, o filho de Kadhafi garantiu, em entrevista à televisão estatal da Líbia, transmitida em simultâneo pela Al-Jazira, que o pai continua no país.
Frisando que "a Líbia não é igual à Tunísia ou ao Egipto", Saif al-Islam Kadhafi avisou que o regime irá "lutar até ao último minuto, até à última bala".
Numa longa declaração, o filho do líder líbio disse temer uma guerra civil se os protestos contra o regime continuarem, o que levaria à destruição da grande riqueza do país, o petróleo. "Esqueçam o petróleo, esqueçam o gás, vai ser o caos total", alertou.
Referiu ainda que o Egipto está a ser alvo de uma "conspiração" organizada por vários pequenos estados islâmicos vizinhos e que o número de mortos veiculado pela imprensa internacional é exagerado. A Human Rights Watch (HRW) informa sobre a existência de 233 vítimas mortais desde o início dos protestos, na passada terça-feira.
Ao mesmo tempo, Saif prometeu que, se os ânimos acalmarem, o Congresso Popular irá reunir esta segunda-feira para analisar uma série de reformas legislativas, um debate sobre a Constituição (que não existe actualmente na Líbia) e novas leis liberais.
"Amanhã [Hoje], podemos falar racionalmente, podemos poupar o sangue, podemos estar todos juntos em prol da Líbia", disse Saif. Contudo, se a agitação continuar, "esqueçam a democracia e a reforma. Irá ter lugar uma feroz guerra civil", avisou.
Tudo isto num dia em que os confrontos entre a polícia e os manifestantes em Benghazi, a segunda maior cidade da Líbia e onde se iniciaram os protestos anti-regime, se intensificaram e alastraram a Tripoli.
Europa pede fim imediato da violência na Líbia
Em reacção, os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia condenaram este domingo os ataques sangrentos das forças de segurança líbias contra os manifestantes pacíficos anti-Kadhafi e exigiram o fim imediato da violência.
"A União Europeia pede às autoridades para demonstrarem calma, abstendo-se imediatamente de qualquer recurso à violência contra os manifestantes pacíficos", afirmam os chefes da diplomacia europeia, em comunicado, após um jantar de trabalho, em Bruxelas.
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