Começo com uma declaração de interesse geral e outra de desinteresse específico. Interessam-me muito as analogias entre sectores de actividade diferentes.
Gosto de as procurar nas narrativas mais aparentemente desconexas. E o meu desinteresse refere-se, no concreto, ao jogo da bola. Embora a minha origem catalã atraiçoe, por vezes, o meu esforço de distanciamento, confesso que tenho habitualmente dificuldades em responder quando sou interpelado pelo resultado do último jogo do Barça ou do Real Madrid.
O exercício comparativo ganha ainda mais interesse quando se trata de procurar rimas entre um mundo tão carregado emocionalmente como é o futebol com um mundo tão supostamente racional como o empresarial. Considero que, em ambos os casos, a condição humana acaba por se manifestar de formas curiosas. No mundo da bola, sobrepõem-se ao intelecto as emoções mobilizadoras das massas na procura de momentos épicos.
Nas empresas, procura-se mitigar qualquer emoção para evitar sinais de fraqueza. Em ambos os casos, muitas vezes, acabamos por obter um resultado radicalmente oposto ao procurado.
No mundo do futebol, vivemos na actualidade um confronto apaixonante entre dois modelos antagonistas. José Mourinho contra Josep Guardiola. O futebol efectivo do português contra o jogo "efeitista" do catalão.
Mourinho lembra-me o líder de uma multinacional. Multilingue. Muito bem sucedido em múltiplos desafios internacionais. Em empresas de vários sectores. Começou a sua carreira directamente como gestor e não como operário numa máquina qualquer das fábricas que dirige. Rodeado de figuras recrutadas à força de cheques. Domina o processo e a técnica. Calculista na preparação, frio na execução e bem sucedido no resultado. E exuberante na comunicação.
Guardiola é o paradigma da empresa familiar. Começou na base e passou por cada um dos escalões. Exposto diariamente aos valores da casa e intimamente comprometido com eles. Incapaz de trabalhar numa empresa diferente. Morreria de pena, autocastigado pela suposta traição.
Mourinho, S.A. contra Guardiola e Filhos. O banqueiro de Lisboa contra o empresário do Norte. Da segunda geração, claro. Ou Apple contra Google, num plano diferente. Comparações todas elas apaixonantes.
O futebol acaba por ser uma mistura curiosa de desporto e de teatro e as empresas, de teatro e de economia. Infelizmente, nos últimos tempos, mais de teatro do que de economia. Mas isso já é tema para uma outra reflexão.
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Xavier Rodríguez-Martín, Gestor
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