No momento de glória global de Mourinho, quem são os portugueses que pensam e agem como ele?
Apesar de Mourinho odiar a política, Sócrates, por exemplo, tem, algumas das suas características. São dois perfis solitários, igualmente determinados, que usam a mesma marca de arrogância e dividem o mundo, traçando uma linha entre os que estão com eles e os que estão contra eles. O que os distingue é, porém, bem maior do que o que os aproxima. Sobretudo, na forma como canalizam as suas notáveis capacidades de trabalho. Mourinho é um estudioso que define objectivos e obtém resultados.
Sócrates é um intuitivo que fabrica sucessivos sonhos que frequentemente não se concretizam.
O passado e o presente de Mourinho já lhe permitiram construir um futuro. Os de Sócrates, ainda não.
O risco da cacofonia
Francisco Assis, um político que nunca esquece o bom senso e a dignidade, disse ao Expresso uma frase impensável nos primeiros anos do socratismo. Defendendo que apenas o primeiro-ministro e o ministro das Finanças devem ser porta-vozes do Governo, Assis sintetizou: "se não houver contenção, caímos em cacofonia". O mundo mudou e o Governo também: alguém acreditaria que no primeiro mandato de Sócrates se corresse o risco de cacofonia?
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