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A agência de notação financeira Moody's baixou a avaliação de Portugal para 'A3' de 'A1' com 'outlook' negativo.
Na véspera de Portugal voltar a testar os mercados, a Moody's cortou o 'rating' da dívida de longo prazo do País em dois níveis justificando a alteração com quatro factores.
Em primeiro lugar, a incerteza em torno das perspectivas de crescimento e produtividade no curto-médio prazo até que as reformas estruturais, sobretudo no mercado do trabalho e no sistema judicial, comecem a dar frutos.
O segundo factor foram os riscos de implementação das "ambiciosas metas de consolidação orçamental do Governo".
Além disso, a possibilidade de o Executivo ter de avançar com mais ajudas ao sistema financeiro do País, iria colocar pressão acrescida sobre as contas públicas do País, é o terceiro factor apontado pela Moody's.
A quarta e última justificação da agência de notação financeira são "as desafiantes condições de mercado que levaram ao aumento dos custos de financiamento do País". A Moody's alerta que, se se mantiverem, estas condições vão causar um enfraquecimento da sustentabilidade da dívida pública do País, "particularmente num contexto de juros mais elevados na Europa".
A Moody's avalia ainda um eventual pedido de ajuda internacional de Portugal. "O acesso ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira pode conduzir a uma descida dos custos de financiamento, mas iriam permanecer questões como quando o Governo iria ser capaz de voltar a ter acesso aos mercados de capital e em que termos", nota a agência de 'rating'.
As perspectivas para a avaliação de Portugal permanecem negativas, pelo facto de a Moody's considerar que é mais provável haver um novo corte no 'rating' do que uma subida ao longo do próximo ano ou dois anos.
Com o 'downgrade' de hoje, a Moody's finaliza a revisão que tinha iniciado ao 'rating' de Portugal a 21 de Dezembro de 2010. A agência de notação financeira explica que é a última alteração de várias realizadas às avaliações dos países periféricos da Europa, iniciadas em Dezembro.
No comunicado, a Moody's explica que "as incertezas em relação à economia global tornam os ajustamentos de Portugal ainda mais desafiantes" e que o aumento das pressões inflaccionistas podem levar à subida dos juros por parte do BCE, "o que poderia agravar os custos de financiamento de Portugal e colocar pressões adicionais nos custos de financiamento das empresas".
O corte de 'rating' promete condicionar os mercados amanhã e os resultados da emissão de dívida de curto prazo. Portugal vai tentar vender até mil milhões de euros em Bilhetes do Tesouro a 12 meses.
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