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Entrevista

“Moeda de troca da meia hora foi a UGT estar disponível”

Cristina Oliveira da Silva  
19/01/12 09:25

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João Proença diz que a conflitualidade social poderia arrastar Portugal para uma situação como a da Grécia.

O secretário-geral da UGT garante que, sem acordo, as medidas no terreno seriam piores. No mesmo dia em que assinou o acordo para o crescimento, competitividade e emprego, João Proença diz que a grande vantagem para o Governo foi a questão da conflitualidade social "e poder aparecer em Bruxelas com este acordo tripartido".

Porque assinou este acordo?
Porque se não assinasse as medidas seriam muito piores. Portugal está hoje sob ajuda externa, o anterior Governo do PS assinou um memorando com a ‘troika' que este Governo pretende cumprir e até eventualmente ultrapassar, incluindo na área da desregulamentação laboral. Há que ter presente, medida a medida, se não houvesse acordo o que aconteceria nomeadamente para cumprir o memorando. Na área do mercado de trabalho era muito pior. Em segundo lugar, porque é um acordo pelo qual sempre nos batemos: primeiro, deixar cair a meia hora, porque é completamente inaceitável. Só houve abertura para cair na parte final de Dezembro.

Até lá era adquirida?
Até lá era adquirida e havia uma intransigência em deixar cair a meia hora. Até houve tentativas de nós cedermos nalguns pontos alterando a lei da meia hora. A UGT foi totalmente intransigente. A segunda questão foi porque nos batemos sempre por um acordo para o crescimento do emprego, precisamos de medidas, para além das de redução do deficit e da redução da dívida externa.

As alternativas à meia hora - reduções nas férias, feriados e pontes - são melhores para os trabalhadores?
O que está a dizer é totalmente falso. Não são as férias, feriados e pontes. Elas iam claramente para a frente com a meia hora.

Então qual foi a moeda de troca para substituir a meia-hora, que já substituía a TSU?
A grande moeda de troca para o Governo foi a UGT estar disponível para discutir a questão e comprometer-se com medidas que estavam previstas no memorando, diminuindo a conflitualidade social.


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