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Passos quer um técnico com poder político à frente das Finanças para cortar na despesa mais do que o previsto pela ‘troika’.
Pedro Passos Coelho reforçou ontem o perfil que terá o próximo ministro das Finanças, uma das pedras basilares do próximo Governo. "Alguém tecnicamente muito bem preparado, politicamente com todo o suporte para poder desenvolver a sua acção", "absolutamente comprometido com o memorando de entendimento e com o programa ambicioso" que o PSD levou às últimas eleições.
Numa entrevista à Reuters e noutra que concedeu à Dow Jones, o futuro primeiro-ministro não falou em nenhum nome para suceder a Teixeira dos Santos, mas o de Eduardo Catroga é dos que melhor encaixa nas balizas desenhadas por Passos Coelho. No entanto, o ex-ministro das Finanças de Cavaco Silva, coordenador do programa eleitoral do PSD e o negociador que o partido indicou para os encontros com a ‘troika', continua em ‘blackout' depois da série de dez entrevistas que deu, em apenas uma semana, ainda antes das eleições.
Nas duas entrevistas de ontem, Passos Coelho concentrou o seu discurso no cumprimento religioso de todas as imposições da ‘troika' e não deixou cair nenhuma das suas promessas eleitorais para a área financeira: logo que possível divulgará um retrato sobre o real estado das contas públicas, colocará em funções uma entidade que fiscalizará as contas do país (com "pelo menos duas pessoas estrangeiras" no seu ‘board') - uma entidade cujos estatutos foram elaborado, e já estão concluídos, pelo grupo de trabalho liderado por Teodora Cardoso -, apostará "em mais concorrência, num processo de privatizações que seja transparente" e que inclua "toda a componente de seguros da Caixa Geral de Depósitos" e, ainda, na alienação "de posições não-core que a CGD tem na área não industrial".
Quanto à redução da despesa pública, um dos calcanhares de Aquiles das contas públicas, haverá uma redução para "níveis ainda mais baixos" do acordado com a ‘troika' "sem com isso colocar em risco a coesão social".
O tempo corre contra o futuro Governo, os prazos acordados por Sócrates e Teixeira dos Santos com a ‘troika' são muito apertados e o líder do PSD acredita que a "confiança só será restabelecida se, em vez de começarmos a pôr dificuldades relativamente aos prazos ou às medidas, começarmos antes por efectivar aquilo que foi acordado".
Ontem, o líder do PSD reuniu a comissão política do partido, encontrou-se com Cavaco Silva e preparou as conversações com Paulo Portas, o seu futuro colega de Governo.
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