Política

29 Abr 2012

Miguel Portas, o "sonhador incorrigível" para quem "a política servia os de baixo"

Económico com Lusa
Miguel Portas, o

Amigos e família evocaram hoje o eurodeputado e fundador do BE Miguel Portas, o seu "romantismo" de "sonhador absolutamente incorrigível", para quem a política servia "os de baixo", com "honestidade radical", "suavidade e elegância".

A sessão evocativa arrancou com "traz outro amigo também" no piano de Mário Laginha, numa tarde em que Miguel Portas foi lembrado por quase todos, e nas suas diversas facetas, como um agregador: "Sabia construir os denominadores que agregavam as nossas forças", afirmou o deputado bloquista João Semedo.

O vereador comunista em Lisboa Ruben de Carvalho sublinhou que o tema foi "particularmente adequado", porque trazer outro amigo "foi o que o Miguel fez toda a vida".

O jardim de inverno do Teatro São Luiz, em Lisboa, foi o local escolhido pelo próprio para reunir os amigos e a família, num papel designado "para o caso de isto correr mal", conforme recordou a eurodeputada do Bloco Marisa Matias.

"Para ele, a política não era outra coisa senão as pessoas", disse Marisa Matias, que o lembrou como "um sonhador absolutamente incorrigível", numa ideia que João Semedo reforçaria ao afirmar que Miguel Portas "combateu sempre pelos de baixo", que constituíam "o impulso da sua iniciativa solidária e generosa".

O irmão, Paulo Portas, lembrou a "honestidade radical" de quem viveu e morreu como "um combatente", mas sempre com "suavidade e elegância", com um "admirável sorriso" que não largou "até ao último momento".

O irmão de Miguel Portas, ministro dos Negócios Estrangeiros e líder do CDS-PP, evocou a "irredutível amizade" que os unia.

"Ambos dávamos ao outro não o preconceito sobre o que o outro pensava, mas o benefício da dúvida sobre o que o outro queria.

Adorávamo-nos para além de todas as diferenças, eu diria até um pouco mais, adorávamo-nos também por causa das nossas diferenças", contou.

"O que explica a nossa irredutível amizade é uma palavra chamada respeito. Respeito não como veneração formal mas como capacidade de renunciar a alguma coisa de nós próprios para conservarmos o essencial do outro e o essencial e do que o outro significa para nós", afirmou Paulo Portas.

O filho mais novo de Miguel Portas, Frederico, de 15 anos, lembrou o seu "herói" pessoal, que "tornava utopias em realidade", a "pessoa mais empenhada no trabalho" e "mais equilibrada" que conheceu, que "era capaz de mudar de vida de um dia para o outro e trazia sempre uma equipa atrás".

André Portas, o filho mais velho, de 18 anos, recordou as ausências do pai que faziam as presenças ainda mais significativas, recordando que ele era "um estratega", capaz de expor qualquer coisa numa toalha de papel de restaurante - foi assim que lhe explicou o sistema feudal - e que aprendeu "a gostar mais das pessoas do que das massas".

"Em 99 disse a uma revista 'sou mau pai, mas hei de ser bom'. Remediou-se", disse André Portas, cuja intervenção antecedeu a atuação de Xana, que encerrou a sessão.

Antes, falaram personalidades como o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa (PS), que conheceu Miguel Portas no Liceu, onde iniciaram "uma nunca esgotada negociação", alimentada ao longo dos anos, "tantas vezes sem qualquer propósito que não a amizade" e o gosto que ambos tinham de "desafiar os acordos impossíveis".

Costa evocou as "marcas que perduram" na capital portuguesa, que Miguel Portas levou à coligação "Por Lisboa", como o modelo das Festas da Cidade ou do Pavilhão Atlântico, e a sua "personalidade transbordante de energia e criatividade, sempre em inevitável tensão com os limites inerentes às organizações em que militante e disciplinadamente se procurava enquadrar".

O coordenador do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, falou do "romantismo" que "era o Miguel Portas", nomeadamente "o romantismo de procurar os outros, de aprender com os outros", fosse na mesquita azul de Istambul, na Grécia, em Gaza ou no Líbano sob bombardeamentos e também "o romantismo de escolher e acreditar, arriscar e perder, arriscar e ganhar".

 

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