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Catroga

"Mercados não acreditam na actual politica económica"

Económico com Lusa  
28/09/10 14:09

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O ex-ministro das Finanças Eduardo Catroga defende que Portugal tem de mudar a linha de rumo na condução das suas políticas.

"É mais fácil perder a confiança do que fazer a retoma da confiança. Os mercados não acreditam na actual politica económica e financeira, portanto a primeira coisa a fazer é o país demonstrar uma linha de rumo a médio longo prazo que vá resolver os seus problemas", afirmou Eduardo Catroga, no final da reunião entre economistas e o líder do PSD, Pedro Passos Coelho.

O ex-ministro das Finanças defende que "é preciso mudar a linha de rumo do país, em termos de política económica e financeira" para que se consiga fomentar a confiança dos investidores e que está "nas mãos do Partido Socialista, que é o responsável pelo Governo, alterar a linha de rumo".

Eduardo Catroga defendeu ainda que é possível haver um orçamento "menos mau" se existirem negociações sérias e não imposição do lado do PS, e que a viabilização do próximo orçamento depende do Governo.

"É sempre preferível haver orçamento, desde que não seja mau e eu acredito que, se houver negociação séria e não imposição do lado do partido do Governo, pode haver orçamento, menos mau. (...) A viabilização depende de quem exerce o poder, quem está no Governo é que tem de negociar o orçamento na Assembleia da República".

O economista afirmou ainda que a carga fiscal actualmente estará entre os 36 e os 37 por cento PIB, e que se for comparado com os países nórdicos até poderia haver margem de manobra, mas que estas comparações devem ter em conta os rendimentos dos portugueses, que são consideravelmente mais baixos.

"Se comparar esta carga fiscal com os países nórdicos, afinal ainda temos margem de manobra para a subir. Essas pessoas, alguns economistas e alguns políticos esquecem-se que se comparar a carga fiscal com o poder de compra das famílias e das empresas, com o nosso nível de rendimentos, a nossa carga fiscal já é superior à dos países nórdicos. A pressão fiscal sobre as famílias e sobre as empresas já é superior à dos países nórdicos, atendendo ao poder de compra das pessoas", explicou.

Eduardo Catroga considerou que "se [o Governo] insistir neste caminho, que é o caminho dos últimos 15 anos, é matar o doente com a cura".

Catroga falava no final da reunião de vários economistas e a liderança do PSD.

Pedro Passos Coelho saiu no final da reunião sem prestar declarações aos jornalistas, tal como o líder da bancada parlamentar do PSD.

 

 

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