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Os indicadores económicos divulgados recentemente e a expectativa de evolução dos que serão divulgados nos próximos dias dissipam o cenário de um arrefecimento pronunciado.
Mas a percepção dos riscos para o crescimento continua negativa, dominada pela indecisão quanto à resolução da crise de dívida soberana europeia.
Os indicadores divulgados ao longo da última semana, confirmam a tendência de abrandamento da actividade, mas afastam o cenário de arrefecimento significativo da actividade no curto prazo. Paralelamente, evidenciam o aumento do pessimismo quanto à resolução da actual crise europeia. Por exemplo, o indicador ZEW alemão, que mede a confiança de analistas e investidores relativamente ao comportamento da economia alemã, recuou para o nível mais baixo desde Novembro de 2008. No entanto, esta evolução é marcada por uma clara dicotomia entre a componente relativa às condições actuais, que permanece num patamar confortável, e a componente relativa às expectativas, com clara tendência negativa. Evolução semelhante teve o indicador IFO. Na próxima semana, entre outros, está agendada a publicação dos índices PMI, preliminares, de Outubro, bem como dos indicadores de confiança na UEM, e indicadores relativos ao mercado imobiliário e bens duradouros, nos EUA. Relativamente aos primeiros, as expectativas são de que se mantenha a tendência de desaceleração, mas nos EUA, as perspectivas são favoráveis: as vendas de casas novas deverão aumentar e a variação em cadeia dos preços das casas também; as perspectivas de evolução dos bens duradoiros são positivas, sobretudo se se excluir a componente mais volátil do material de transporte. Refira-se adicionalmente que a economia chinesa cresceu 9.1% no terceiro trimestre, verificando o ritmo mais lento desde 2009. No trimestre anterior, o produto chinês tinha crescido a uma taxa anual de 9.5%.
No início da próxima semana está também agendada a divulgação de mais um relatório pela Troika - FMI, BCE e UE - de acompanhamento do programa de ajustamento da Grécia, avaliação da qual está dependente o desembolso da próxima tranche do empréstimo.
A deterioração das expectativas está fortemente correlacionada com a incerteza quanto à capacidade por parte das autoridades da zona euro de resolução da crise da dívida soberana europeia, evidente no sucessivo adiamento de soluções. A expectativa em torno da cimeira dos Chefes de Estado da União Europeia de 22-23 de Outubro quanto à possibilidade de se realizarem avanços muito concretos no sentido de resolução da crise de dívida soberana na Europa, esmoreceu com novas dúvidas quanto à possibilidade de serem encontradas soluções definitivas, bem como por mais um adiamento quanto à adopção das decisões necessárias. As principais questões que estão em cima da mesa são o reforço da capacidade de intervenção do FEEF - Fundo Europeu de Estabilização Financeira, dos actuais 440 mil milhões de euros para um ou dois biliões; a formulação de um plano concertado de recapitalização dos bancos mais afectados pela crise de dívida; e também a possibilidade de que o sector privado possa ter uma maior participação na reestruturação da dívida da Grécia, conferindo-lhe maior sustentabilidade.
A história recente da crise financeira põe em evidência a necessidade de actuação atempada e clara das autoridades para reduzir a incerteza nos mercados. Neste capítulo refere-se a implementação, nos EUA, do programa TARP - compra de activos e capital de instituições financeiras - que permitiu a redução dos riscos relativos ao sistema financeiro. O êxito do programa resultou da rapidez da sua implementação bem como da dimensão e utilização do programa. Paralelamente, a Reserva Federal adoptou um conjunto de programas de curto e longo prazo para restaurar a confiança no sistema financeiro. De forma idêntica agiu a autoridade monetária britânica através da compra de dívida pública. Na zona euro, a dimensão do balanço do BCE quando comparada com a dos seus principais congéneres anglo-saxónicos evidencia a existência de um espaço considerável de actuação no mesmo sentido.
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