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Obama joga a sua reeleição nas presidenciais de Novembro, num momento em que a economia dos EUA tarda a arrancar.
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Os EUA vivem um paradoxo: uma nação proactiva e virada para o futuro que começou a pensar cada vez mais no curto prazo e a agir na defensiva.
Para melhor perceber os desafios com que os EUA actualmente se deparam, o melhor é olhar mesmo para o balanço das empresas. Por um lado, temos aqui alguns motivos de regozijo. No ano que passou, muitas das maiores empresas registaram lucros elevados e têm agora dois mil milhões de dólares de capital disponível. Não admira assim que o mercado de ‘Credit Default Swaps' (CDS) atribua um melhor risco de crédito a mais de cinco dezenas de empresas do que ao próprio governo dos EUA: os gigantes empresariais não só são dos mais fortes do mundo como são melhores geridos do que o próprio país. Mas analisemos melhor a questão destes dois mil milhões de dólares: o motivo para a existência desse grande montante de capital prende-se com o facto de muitas empresas se terem mostrado relutantes em investir no ano passado. Por vezes trata-se de meras jogadas fiscais. Uma vez que os EUA penalizam agora as empresas quando repatriam dinheiro ‘offshore', são muitas as empresas que estão à espera que a lei mude para transferirem os seus fundos. Muitos CEO preferem também investir fora dos EUA nos dias que correm, uma vez que vêem aí mais oportunidades em virtude dos custos laborais mais baixos.
A juntar a isto tudo existe uma questão emocional: o medo. Estudos recentes sugerem que as empresas norte-americanas estão muito inquietas quanto às perspectivas políticas e económica dos EUA e, por conseguinte, nervosas quanto a projectos a longo prazo. O paradoxo de 2012, por outras palavras, é que uma nação assente numa mentalidade proactiva e virada para o futuro - e que continua a ter uma pujança formidável - começou a pensar cada vez mais no curto prazo e a agir na defensiva em muitos aspectos.
Os EUA começam o ano de 2012 com grandes vantagens face a outros países ocidentais. Quatro anos depois do colapso do Lehman Brothers, o seu sistema financeiro está numa posição muito mais estável. Os mais recentes dados económicos apontam para cenários diferentes, mas a economia deverá registar um crescimento de 2% durante este ano. Um estudo lançado este mês pela McKinsey conclui que: "Os Estados Unidos fizeram uma mais rápida desalavancagem e que no espaço de dois anos podem estar a voltar a níveis mais sustentados de endividamento do sector privado".
Mas o desemprego continua elevado segundo os padrões da pós-guerra, rondando os 8,5%. Apesar de ser mais baixo do que no ano passado, é mais elevado do que durante o período do pós-guerra - e vários pontos percentuais acima da Alemanha. O mercado imobiliário continua numa situação complicada, com cerca de um quarto dos lares norte-americanos em situação de incumprimento ou com dificuldade em pagarem as suas hipotecas. E, algo que também é preocupante é o facto de o Congresso não ter chegado a acordo no ano passado quanto a qualquer plano de redução da dívida norte-americana, que deverá ultrapassar os 90% do PIB em breve - um nível que tende a pressagiar sérios desafios económicos, segundo economistas como Kenneth Rogoff e Carmen Reinhart. Isto, por seu lado, é um reflexo do mau estar político. Em alguns países europeus, os últimos anos de desgaste económico levaram os governos a tornarem-se mais - e não menos - pragmáticos, se não mesmo centristas; a política britânica, por exemplo, assenta actualmente num governo de coligação, pelo que está visivelmente livre de extremos ideológicos. Os EUA, por seu lado, tem vindo a registar uma polarização política. Um estudo levado a cabo pela Edelman sugere que menos de metade dos americanos confia no governo, uma situação que está a gerar uma verdadeira paralisia em Washington.
Podemos atribuir as culpas por este estrangulamento à estrutura do sistema político - e sobretudo ao facto dos Pais Fundadores da nação terem introduzido uma série de mecanismos de vigilância e de supervisão para refrearem os seus poderes - e é também um reflexo de um desafio mais profundo: os líderes da América parecem estar mal preparados para tomar decisões e medidas rígidas. Um país como este, fundado com base na ideia de crescimento permanente e sem limitações em matéria de recursos, não tinha até aqui que se preocupar quanto à melhor forma de dividir o bolo; em vez disso, havia a crença generalizada de que o bolo continuaria a crescer. Muitos políticos norte-americanos continuam a insistir que é possível manter esta situação, dada a combinação de crescimento da população, inovação e o espírito empreendedor que serviu tão bem o país até à data. Mas quanto mais fraco for o crescimento e maior o endividamento, mais premente essa questão se torna.
Não admira assim que com eleições cruciais no horizonte, palavras como "guerra de classes" e "desigualdade" façam cada vez mais parte da retórica política: a campanha eleitoral de 2012 está a obrigar os americanos a resolverem algumas questões cruciais quanto à forma como vêem a relação entre o mercado e o Estado - e a sua própria identidade.
E enquanto estas questões não forem resolvidas, será difícil para o país - e para as suas empresas - redescobrir verdadeiramente o seu amuleto; ou, o que é mais importante, usar esses dois mil milhões de dólares de capital excedentários para alimentar o crescimento que a América e o resto do mundo agora tão desesperadamente precisam.
Tradução de Carlos Tomé Sousa
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