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A queda das acções da EDP, liderada por António Mexia, justifica o impacto negativo nos resultados da participação de 0,44% da Martifer na eléctrica.
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O grupo liderado pelos irmãos Carlos e Jorge Martins detinha quer vender mais activos não-estratégicos.
A Martifer colocou a participação na EDP, actualmente reduzida a 0,44%, na lista de activos financeiros alienáveis. Esta posição, apesar dos dividendos gerados - 2,5 milhões de euros em 2009 - tem tido um impacto negativo nos resultados devido à desvalorização dos títulos da eléctrica.
A 30 de Junho, o grupo dos irmãos Carlos e Jorge Martins detinha 16.075.416 acções da EDP, depois de ter vendido uma tranche de 1,6 milhões de acções. À cotação dessa data, a participação valia 39,2 milhões de euros, representando uma menos-valia potencial (face a 31 de Dezembro de 2009) de 1,5 milhões de euros.
O programa de alienações promete não ficar por aqui. O Diário Económico sabe que, até ao final do ano, serão tomadas mais medidas para consolidar a saúde financeira do grupo. Um dos alvos de reestruturação será a RE Developer, onde estão concentradas as participações em parques eólicos, cuja construção está em marcha. A Martifer já deixou claro que não pretende ser um operador eléctrico, apenas um promotor de projectos, com baixa exposição accionista.
Os negócios da ‘holding'
No âmbito desta estratégia, a I'M SGPS, a ‘holding' pessoal dos irmãos Martins, transformou-se numa peça-chave na reestruturação da Martifer. Depois da intensiva estratégia de crescimento nos últimos anos, a Martifer centra esforços em duas áreas: construções metálicas, a génese do grupo, e energias renováveis.
A palavra de ordem é vender ou retirar do balanço os activos que possam prejudicar as contas ou que permitam aliviar a dívida que, no final do primeiro semestre, atingia os 429 milhões de euros (a prioridade é ser inferior a 400 milhões em 2010).
É aqui que Carlos e Jorge Martins, através da I'M SGPS, passaram a ter um papel decisivo. Prova disso é a recente alienação do Tavira Gran-Plaza, inaugurado em 2009. A operação, que rendeu à Martifer 44,3 milhões de euros, serviu para abater à dívida. Comprador? A Estia que, em comunicado, é apresentada como uma empresa especializada em áreas do ramo imobiliário. Só que, por trás da Estia está a I'M SGPS, com 50%, e o consórcio Vicaima/Finibanco.
Este modelo de negócio já tinha sido usado em Março quando a Martifer retirou da sua esfera de consolidação a Prio, o braço do grupo nos biocombustíveis que, devido à indefinição política, se tornou um espinho nas contas da empresa. O objectivo inicial, anunciado ao mercado em 2009, previa a venda da maioria do capital. Mas a solução final seria mais modesta.
A Martifer alienou 11% do capital das subsidiárias Prio SGPS e Prio Advanced Fuels SGPS à Severis por 13,75 milhões de euros, passando a deter 49%. Da estrutura accionista da Severis fazem parte Rui Alegre, com 50%, Carlos Martins e Jorge Martins, com 40% e António Martins, com 10%. Apesar de contactada, não foi possível obter uma reacção da Martifer.
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