Paulo Rangel não avança, Cavaco Silva dificilmente deixará de ser candidato. Eis o caldo ideal para Marcelo ir ao ringue do morra quem se negue.
Primeiro Rangel, ganhador no processo. Há pouco mais de um ano era um ilustre desconhecido na tribo PSD. Enfrentou Sócrates no Parlamento, venceu eleições contra a maioria das previsões, está na primeira linha do futuro. Sem a sua decisão não se estaria a discutir Marcelo, porque simplesmente se estaria a discutir a sua decisão.
É ele aglutinador da onda pró Marcelo contra Passos Coelho. Aconteça o que for, será sempre uma peça incontornável em futuras opções - não sendo de excluir que um confronto tenha sido apenas adiado.
Agora Marcelo. O título recente reflecte o essencial. Se Marcelo quiser, terá de ser claro na acção e arguto na estratégia. Dizendo o que pensa sem subterfúgios e sem deixar que as mãos lhe doam; promovendo entendimentos com aqueles que gerem ou dominam sensibilidades partidárias. Mas, sobretudo, construindo uma outra realidade, puxando novos valores e outras caras - o que exige o risco por uma geração nova.
Agora que tem o essencial para se alistar, Marcelo está condenado a superar-se. Ele sabe que a vaga, seja de que dimensão for, tem de ser vencida nos pressupostos para que não se limite ao mero contágio de uma onda: a seguir a Miguel Veiga virá Balsemão e Rio, teremos Marques Mendes e Alberto João Jardim, num desfiar de notabilidade que só não chega a Cavaco porque a função o não permite.
O desafio - irresistível a não ser que o medo imponha uma reforma precoce - é exigente e obriga à descoberta de ouro no pote. Mas Marcelo tem tempo para encanzinar o adversário e desenhar o perfil de uma equipa. Há, fora e dentro do PSD, gente capaz de acompanhar um novo ciclo: procure-se nas autarquias, nas empresas, na academia, no trabalho, na ousadia. Como há, no pote destapado por Rangel, quem se distinga na vulgaridade em que a moeda, boa ou má, se foi transformando.
Agora, no ponto em que está o jogo, não há recuo. Ninguém perceberia uma recusa de quem pediu condições e teve-as, ou vai ter. Ninguém, a começar pelo próprio - que sabe que esta é a última chance. E o próximo combate.
O vice-presidente do BCP Armando Vara aceitou 10 mil euros para influenciar uma decisão política? Não é verdade. Não pode ser verdade.
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Raul Vaz, Jornalista
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