Mais Lidas
A sala de controlo de segurança de todas as agências bancárias da Caixa tem acesso “muito restrito”.
Comunidade
- Lisboa prova ganhos pela primeira vez na semana 16:45
- Metro de Lisboa reduz prejuízo em 1,5% para 146 milhões 15:50
- Governo reforça autonomia das escolas e dá mais poder dos directores 15:50
- Complemento Solidário chegava a mais 11,4 mil idosos em 2011 15:49
- Aumento do desemprego surpreende ‘troika' 15:29
Descemos ao ‘bunker’ que controla a segurança em todas as agências da Caixa Geral de Depósitos.
"Mãos ao ar. Isto é um assalto! Estou preocupado e preciso de dinheiro, com urgência. Tenho dívidas e a minha mulher está sem emprego". Estas palavras - de pessoas que tentaram assaltar bancos, muitas vezes sem sucesso - ouvem-nas repetidas vezes os psicólogos e juízes em relatos de polícia. Na hora de explicarem os motivos das tentativas de assalto, justificam-se com o desespero. O mesmo desespero que o director do Gabinete de Prevenção e Segurança da Caixa Geral de Depósitos, Nuno Bento, garante ser uma das razões para a atitude irreflectida e nada razoável de assaltar uma agência bancária.
O engenheiro, de 39 anos, falou com o Diário Económico no interior da sala de controlo de segurança da Caixa a que apenas um número muito restrito de pessoas tem acesso. É um ‘bunker' nos pisos inferiores do edifício sede da CGD, na Avenida João XXI em Lisboa. Deste ‘bunker', Nuno Bento já assistiu a tentativas de assalto em tempo real: "Que são bem mais rápidas do que se possa imaginar". Nesta sala, uma equipa de operacionais de segurança consegue controlar todas as agências da Caixa a nível nacional, com imagens em tempo real. É daqui também que, nos próximos meses, começarão a ser controladas as agências no estrangeiro, como a de Bruxelas. Sempre em tempo real, com garantias de "fiabilidade na comunicação" e com recurso a um ‘video-hall' que pode dividir-se em duas dezenas de ecrãs de tamanhos reguláveis.
Nestas condições de tecnologia avançada e com meios humanos que rodam em turnos 24 horas sobre 24, "só um acto totalmente desesperado poderia levar alguém a fazer um assalto a um banco", garante Nuno Bento que destaca o efeito-surpresa como uma das principais armas das autoridades.
"Raramente há grupos muito organizados. E nos bancos, hoje em dia, há muito pouco dinheiro disponível para que se justifique um assalto. Por isso, só mesmo um acto absolutamente irreflectido poderá conduzir a uma situação como essa", defende o director da Caixa. A frieza e o grau de certeza com que fala fundamenta-se nos "bons sistemas de vigilância [do banco] e na boa central própria" que destaca como sendo "única em Portugal". "Os sistemas de segurança da Caixa são bons, mas investimos sobretudo na prevenção", diz ainda o director bancário.
Taxas de sucesso
Para corroborar o seu optimismo quanto à eficácia deste sistema ultra-seguro e ultra-secreto, afirma que as taxas de sucesso na resolução de assaltos a agências da Caixa podem atingir os 90%. "No ano passado foram resolvidos todos os 18 assaltos realizados a agências da Caixa. E uns 85% a 90% dos assaltantes foram detidos", diz Nuno Bento. "O ano pior foi o de 2008, em que houve um pico e tivemos 31 assaltos", lamenta. "Em 2009 a polícia reagiu muito bem e muitos dos assaltantes foram presos de novo. E digo, de novo, porque há ciclos de seis em seis anos, aproximadamente, que coincidem com os ciclos económicos, por um lado, mas também com os tempos das penas, por outro". As regiões com maior número de assaltos a bancos são Lisboa, Porto, Aveiro e Setúbal. "O desemprego é o principal inimigo e factor destas situações, mas também verificamos que, curiosamente, há pessoas que roubam de manhã e devolvem à tarde", afirma Bento sorridente.
"Se houver uma emergência temos um plano e se a situação for grave há um gabinete de crise que se reúne". A sala principal de observação está munida com os materiais mais sofisticados de vigilância (‘video-hall' com 20 ecrãs gerido por um operador chefe e quatro operadores em permanência). E tem disponível, inclusive, um sismógrafo para garantir a segurança dos funcionários em caso de terramoto, uma vez que a construção anti-sísmica do edifício sede da Caixa pode impedi-los de perceber o grau de perigo que correm. "Além disso, também temos aqui esta sala de reuniões do gabinete de crise, onde são tomadas as decisões mais difíceis", diz Nuno Bento. O gabinete de crise da Caixa é multidisciplinar e formado pelo responsável máximo da segurança, o administrador com o pelouro da segurança, um elemento da área de IT, um elemento responsável pela manutenção, o interlocutor com a imprensa e outro que trata dos aspectos logísticos.
Continuidade de negócio do banco
A continuidade do negócio da Caixa é garantida também por este Gabinete de Prevenção e Segurança (GPS) e está na directa dependência da administração do banco. Traduz a exigência de manter os negócios do banco em funcionamento, através do trabalho de centenas de profissionais, desde os seguranças do ‘bunker' aos bombeiros e ao pessoal do INEM em permanência, até aos serviços de logística administrativa, alimentação, etc. O GPS gere toda a segurança na Caixa, incluindo a do ‘bunker' e a de quem ali trabalha (25 operadores, 24 horas por dia e por turnos, e outros 25 que trabalham nos sectores do combate a incêndios e socorro.
Em Évora, a Caixa Geral de Depósitos tem uma sala com 200 postos de trabalho destinada a garantir que, por exemplo a sala de mercados continua a funcionar em casod e catástrofe ligada ao centro de ‘backup' no Porto. Assim, consegue garantir a continuidade do negócio. A Caixa tem 850 agências em todo o país e, se houver um alarme de assalto ou de outro tipo, em qualquer delas, a imagem respectiva entra de imediato, e de forma automática, no ‘video-hall' da sala de controlo de vigilância, como prioritária. Com uma eficácia à prova de bala.
Notícias da mesma categoria
Disclaimer: "O Económico apela aos leitores para que utilizem este espaço para um debate sério e construtivo, dispensando-se, para o bem de todos, o insulto e a injúria gratuitos. Desaconselha-se o uso exclusivo de maiúsculas e a repetição de comentários. Comentários inadequados devem ser denunciados e quando tiverem mais de cinco denúncias serão eliminados. O IP do leitor não será revelado mas ficará registado na base de dados".
Publicidade
Acções do PSI 20





