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Análise

Mais liquidez e outras notícias

Agostinho Leal Alves, do Departamento de Estudos Económicos e Financeiros do BPI  
23/12/11 20:24

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O empréstimo de 490 mil milhões de euros irá chegar a 523 entidades financeiras da Zona Euro à taxa de juro fixa de 1%.

A introdução extraordinária de liquidez a 3 anos por parte do Banco Central Europeu (BCE), no âmbito de uma estratégia que visa atenuar os constrangimentos do crédito aos bancos europeus e às economias, foi bem sucedida e ultrapassou as expectativas em termos de montante colocado (490 mil milhões de euros perante um valor previsto pelos analistas que rondavam os 300 mil milhões de euros).

De facto, pretende-se que as instituições financeiras tenham acesso a um financiamento adicional que flua para a actividade económica da Zona Euro, que sofrerá um abrandamento significativo em 2012.

O empréstimo de 490 mil milhões de euros irá chegar a 523 entidades financeiras da Zona Euro à taxa de juro fixa de 1%. Na reunião de Dezembro do BCE foi igualmente definido que a segunda operação de refinanciamento a 3 anos e com as mesmas características (à taxa fixa e resgatável passado 1 ano) irá ocorrer no dia 20 de Fevereiro de 2012.

Recorde-se ainda que, na reunião de dia 8 de Dezembro, a taxa de juro repo da autoridade monetária foi cortada em 25 pontos base, para o valor mínimo de 1.00%.

Em reacção à colocação de mais liquidez no sistema financeiro europeu, o euro verificou um movimento de depreciação face às moedas rivais, numa altura que estava a recuperar de valores mínimos. No caso do EUR/USD, o câmbio voltou ao patamar 1.30, após ter cortejado os 1.32, numa fuga ao nível mínimo 1.2944 (registado no dia 14 de Dezembro).

No mercado secundário de dívida soberana europeia também se sentiu um alívio nas pressões diárias sentidas ao nível das yields exigidas. Também a maioria das Bolsas, para além das Europeias, reagiu positivamente. Mas houve outros factos que trouxeram maior confiança aos mercados: as emissões de dívida espanhola, onde foram colocados montantes superiores ao previsto (5.56 mil milhões de euros versus 4.5 mil milhões indicados); a tomada de posse do novo governo de Espanha e o anúncio de um pacote de austeridade que inclui cortes ambiciosos na despesa e reformas económicas estruturantes. Contudo, o BCE continua a considerar que o maior risco à estabilidade financeira não só europeia como mundial é o contágio da crise da dívida do euro. Neste âmbito, o banco central continua a fazer pressão para que os governos dos estados membros implementem programas ambiciosos de consolidação orçamental.

Entretanto, na Alemanha, que viu o seu crescimento económico para 2012 ser revisto fortemente em baixa desde as primeiras projecções (Comissão Europeia avança agora com +0.8% e a OCDE +0.6%), viu recentemente subir a confiança dos empresários. O indicador do Instituto alemão IFO das actuais condições económicas para a actividade empresarial registou o valor mínimo de 106.6 pontos em Novembro, tendo recuperado para 107.2 em Dezembro (em Dezembro de 2010 situava-se em 114.4 pontos).

Nos EUA, o crescimento final do PIB no terceiro trimestre foi de +1.8%, abaixo dos 2.0% avançados previamente. No entanto, houve áreas onde a revisão foi de alta: o investimento aumentou a uma taxa anualizada de 15.7% (+14.8% antes); as exportações e as importações cresceram 4.7% e 1.2%, respectivamente. No que respeita ao sector imobiliário, as últimas indicações surpreenderam pela positiva. O número de construções de habitações unifamiliares aumentou 9.3% em Novembro, muito acima dos 1.1% esperados pelo mercado. Em Outubro este indicador apresentou uma quebra de 2.9%. Nas licenças de construção concedidas verificou-se um aumento de 5.7%, contrariando o decréscimo de 1.4% antecipado pelos analistas.

Mas há um dado preocupante. Os congressistas republicanos da câmara baixa (em maioria) rejeitaram o plano de ajuda económica proposto pelo Presidente Obama, sendo necessário um compromisso até final do ano. Até lá, está em perigo a continuação dos actuais benefícios fiscais e a duração do subsídio de desemprego, para além da continuação da construção de infra-estruturas importantes, nomeadamente da extensão do oleoduto de Keystone.

 

 




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