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Estudo

Mais de 90% dos portugueses passa férias de Natal em casa

Sónia Santos Pereira  
12/12/11 08:42

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Estudo revela que a maioria dos portugueses vai abdicar de gozar férias fora de casa em 2012.

Os hábitos de férias natalícias e de Ano Novo dos portugueses continuam a ser o que eram apesar do agudizar da crise. Um estudo do Instituto de Planeamento e Desenvolvimento do Turismo (IPDT), a que o Diário Económico teve acesso, concluiu que 92,6% dos inquiridos não vai fazer férias fora da residência nesta época festiva. Este valor é pouco superior aos 91% que no ano passado. A crise é principal razão apontada para não viajarem neste período.

"Há uma grande percentagem de portugueses que espera não fazer férias este ano", mas "não houve o impacto brutal que estava à espera" fruto da crise económica e das medidas de austeridade que o Governo implementou e que já se fazem sentir no bolso dos portugueses, frisa o presidente do IPDT, António Jorge Costa. "Talvez porque o turismo é um sector um pouco à parte" da restante economia, que "demonstra alguma resiliência" à crise, justifica.

Apenas 7,4% das mais de quatro centenas de inquiridos vai gozar férias fora de portas. E, dessa amostra 59,3% pensa gastar o mesmo que em 2010. No entanto, há 33,3% que vai gastar menos e "as questões monetárias são o motivo para este comportamento", lê-se no estudo para aferir a intenção de férias dos portugueses nas festas de fim de ano e em 2012 a que o Diário Económico teve acesso. A grande maioria dos portugueses que vai de férias nas festas de final de ano (76,9%) terá um período de lazer com uma duração semelhante à de 2010.

Maioria abdica de férias fora de casa em 2012

As intenções de férias dos portugueses para o próximo ano são totalmente toldadas de pessimismo. Mais de 71% dos inquiridos não vai fazer férias fora do local de residência e é "a crise e as medidas de austeridade que justificam a decisão", avança António Jorge Costa. Essa é a justificação para que 56,5% dos portugueses ouvidos no estudo que vão ficar de férias em casa no próximo ano.

As medidas de austeridade vão ter "grande influência no rendimento disponível" dessas pessoas, adianta o mesmo responsável. No estudo, verifica-se que 60,4% dos inquiridos afirma que a austeridade tem "muita influência" no rendimento para fazer férias fora de casa em 2012.

Para António Jorge Costa, a indústria portuguesa do turismo terá de "apostar na criatividade e na qualidade das equipas" para vencer, num ano em que a procura interna estará em baixa e onde o sector terá de bater-se "com falta de competitividade nos preços". Afinal, 40% das vendas dos ‘resorts' dizem respeito à restauração, que vai ver o IVA agravado para 23%.

O responsável aponta "as parcerias com operadoras e uma política de compromissos com os ‘stakeholders'" como uma solução para "minimizar o embate que se espera". António Jorge Costa realça ainda que o sector deve "tentar captar outros mercados, como tem estado a fazer, de que são exemplos o Brasil, a América do Norte e o Canadá".

Ainda assim, cerca de 28,6% dos inquiridos pretende fazer férias fora do local de residência em 2012, quando no ano passado este valor situava-se em 32,9%. E, dos que vão de férias, a "maioria pensa gastar o mesmo e tirar o mesmo período de férias, não alterando a sua tipologia de consumo", realça o presidente do IPDT. São férias de mais de dez dias, onde prevêem um consumo médio da ordem dos 924 euros.

António Jorge Costa sublinha, porém, que "31,4% pensa reduzir os gastos, nomeadamente no alojamento, optando em grande medida por casa de familiares". O motivo para gastar menos é a crise, que recebe 87,5% das respostas.

Mulheres urbanas com mais de 60 anos

O estudo do Instituto de Planeamento e Desenvolvimento do Turismo está baseado numa amostra de 422 entrevistas, que confere um nível de confiança de 95%. As entrevistas foram feitas entre 15 a 30 de Novembro, por telefone, e a pessoas maior de idade. Os inquiridos são maioritariamente de Lisboa, são mulheres, casadas e têm entre 61 a 70 anos. O ensino básico é a habilitação literária predominante e o rendimento familiar mensal dos inquiridos que prevalece na amostra é de 1001 a 2000 euros.

Passagem de ano supera expectativas do Grupo Vila Galé

O grupo Vila Galé, composto por 17 hotéis em Portugal, perspectiva um ‘reveillon' melhor do que as expectativas iniciais. "As previsões não estão más para o ‘reveillon', até acima das expectativas iniciais, tendo em conta a actual crise económica do País", assume o presidente do grupo Vila Galé, Jorge Rebêlo de Almeira. "Dos 17 hotéis, em Portugal, iremos realizar uma festa de ‘reveillon' em oito unidades, com jantar, animação e música ao vivo. Nas outras nove não fazemos nada. Os hotéis estão em funcionamento, mas com serviço normal. Neste período de final de ano, estamos a falar de uma/duas noites, onde estimamos uma ocupação de 65 a 70%", contabiliza Gonçalo Rebêlo de Almeida, director de marketing e de vendas do grupo Vila Galé. Destes oito, cinco hotéis já registam ocupação total das salas de jantar, que têm capacidade para 200/250 pessoas. O pacote custa 175 euros por pessoa, "mas fizemos desconto de 30% até 30 de Novembro", sublinha Gonçalo Rebêlo de Almeida. O próximo ano constitui uma incógnita em relação ao mercado externo, que vale 60% na ocupação dos hotéis da marca Vila Galé, mas é certa a queda do turista interno. "Estamos a navegar à vista, a ver como as coisas evoluem. Fechamos 2010 em linha com o ano anterior, que já representou uma queda em relação a 2009", conclui o presidente do grupo.





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