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Transportes

Mais cortes na Transtejo e no Metro de Lisboa colocam serviços em risco

Hermínia Saraiva  
04/05/11 07:16

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Transtejo ainda espera o financiamento de 60 milhões para assegurar o segundo semestre.

A Transtejo propôs reduzir entre 10% a 15% dos custos operacionais, poupando 4,3 milhões de euros já este ano, e assegura que não pode ir mais longe. Novos cortes só se reduzir o serviço público, garante a empresa que realiza as ligações fluviais entre as duas margens do Tejo.

"Mais cortes teriam de passar sempre pela opção política de redução de oferta de transporte público", assume fonte oficial da Transtejo ao Diário Económico, quando confrontada com a possibilidade de as medidas previstas no Programa de Estabilidade e Crescimento IV, chumbado no Parlamento, virem a ser aplicadas pela ‘Troika'.

Numa altura em que continua à espera de um financiamento de 60 milhões de euros que garanta as necessidades de tesouraria da empresa, a Transtejo realça que "a revisão do quadro de pessoal será adequada à eventual redução de oferta que venha a ser aprovada".

Já no final de 2010, o presidente da empresa, João Pintassilgo, tinha admitido que poderia vir a reduzir o quadro de pessoal. Uma medida que deverá surgir na sequência da redução da oferta já prevista no plano de redução de custos entregue na tutela. A Transtejo previa, assim, "abater sete navios e reduzir o número de travessias diárias entre as duas margens do rio". "O plano traçado pela empresa para reduzir custos prevê também rescisões de contratos", afirmou na altura João Pintassilgo, sem especificar o número de efectivos abrangido.

Ainda se desconhecem as medidas propostas pelo FMI/BCE e CE, mas o presidente da Carris lembrou na passada sexta-feira que a situação financeira do sector dos transportes é insustentável e que as empresas estão "à beira do abismo". Silva Rodrigues admitiu mesmo que a Carris precisa de reduzir pessoal, mas "não tem dinheiro" para pagar as rescisões. Fonte oficial da Carris garante, ao Diário Económico, que, "neste momento, a empresa não tem problemas de tesouraria, estando a cumprir regularmente todos os seus compromissos financeiros".

As empresas de transportes do Sector Empresarial do Estado (SEE) continuam sem saber se a tutela aceita, ou não, as propostas de redução de despesa, enviadas para cumprir o estipulado no Orçamento do Estado para 2011: cortar 15% dos custos operacionais, incluindo 5% da massa salarial.

No Metro de Lisboa (ML), o corte dos custos operacionais deve chegar a 15 milhões de euros, excluindo custos com o ‘leasing' do material e complementos de pensões, e o acréscimo de custos decorrente do aumento da rede.

A empresa presidida por Cardoso dos Reis também admite que é difícil encontrar por onde cortar mais. "No caso do ML, o plano apresentado ia tão longe quanto possível sem comprometer a quantidade e qualidade do serviço prestado e respeitando as metas traçadas de redução de 15% dos custos operacionais, pelo que esse esforço terá que ser tomado em consideração caso sejam determinados cortes adicionais a nível do sectorial ou a nível de todo o SEE", avança fonte oficial da empresa ao Diário Económico.

A CP não espera vir a ter de reduzir o serviço, ainda assim reconhece que "todas as vertentes de serviço público que as diversas empresas prestam é definido pelas suas tutelas governamentais, logo, só pode haver cortes nesse serviço se existir indicação nesse sentido", esclarece fonte oficial.

Contactados os ministérios das Finanças e das Obras Públicas, não foi possível obter resposta até ao fecho desta edição.

 





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