Se a votação do “Financial Times” para o ‘ranking’ dos ministros das Finanças da União Europeia ocorresse hoje, Teixeira dos Santos ficaria com toda a certeza em último lugar, e não em 15º, como foi revelado esta semana.
O anúncio da apresentação de um orçamento rectificativo a pouco mais de um mês do final do ano - e quando o ministro repetiu até à exaustão que tal não seria necessário - causa mais danos políticos do que a revisão do défice público para um valor próximo dos 8%.
A experiência destes últimos doze meses trouxe muitas lições do ponto de vista económico e político, mas, pelos vistos, ainda não totalmente aprendidas. A gestão das expectativas pode e deve ser feita por parte do Governo e do titular da pasta das Finanças, tendo em vista não agravar ainda mais o clima tenso e até doente, descrente, em que o país vive. Mas essa gestão não pode ser levada ao extremo da sua própria descredibilização, e é isso que está em causa quando os portugueses são confrontados com estas contradições. Percebendo-se, obviamente, a necessidade que tem, agora, o ministro Teixeira dos Santos de jogar com a ameaça da bomba atómica - uma queda do Governo - se a oposição chumbar este orçamento rectificativo. Mas este Governo, recorde-se, tem pouco mais de um mês.
A revisão do défice público para este ano já era um dado adquirido há alguns meses, dada a severidade da crise. Mas Teixeira dos Santos foi garantindo que o problema era de quebra de receita e não da derrapagem da despesa. E um orçamento rectificativo só se justifica se o Governo ultrapassar, de alguma maneira, o limite de endividamento a que está autorizado pelo Parlamento. Quaisquer que sejam as explicações mais ou menos técnicas, quando o ministro Teixeira dos Santos quer pedir autorização aos deputados da Assembleia da República para aumentar tecto de endividamento líquido de 2009 em cerca de 4,9 mil milhões de euros, é porque a evolução da despesa foi mal calculada ou então há alguma operação financeira, com impacto na despesa, que tem de ser explicada.
Teixeira dos Santos é um dos ministros mais reputados deste Governo, alia um conhecimento e qualidade técnicas indiscutíveis a uma capacidade de avaliação política invulgar, e conseguiu passar de forma mais ou menos incólume pela crise económica e social que afectou o país entre o meio de 2008 e todo o ano de 2009. Mas é também o ministro que já leva três orçamentos em apenas um ano e é também o ministro que levou mais longe (para pior) o peso da despesa pública em percentagem do PIB. E a crise não explica tudo. Ora, o que o Governo precisa, e o país também, é de um ministro das Finanças forte, credível, com autoridade, especialmente sobre os seus colegas ‘gastadores'.
Fica a nota de rodapé: o melhor ministro das Finanças da União Europeia foi uma mulher, a ministra francesa Christine Lagarde.
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António Costa, Director
antonio.costa@economico.pt
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Primeiro, foi um Orçamento de Estado. Depois, um Orçamento Suplementar. Agora, é um Orçamento Redistributivo. Já lá vão 3! Imagine-se!!! Enfim...
A fertilidade vocabular
designando orçamentos
é, sem dúvida, exemplar
sem falsos refinamentos.
Chamando redistributivo
quando já foi suplementar,
ignorando o rectificativo
para a verdade enquistar.
O quadrado circular
do défice orçamental
é uma forma de pincelar
a política governamental.
Uma economia arrasada
por tanta incompetência,
esta política arrevesada
feita de muita prepotência.
1. Em todos os Governos e Governos Sombra tenho sempre a tendencia para escolher o MNE como melhor Ministro e o MF como segundo melhor Ministro. Apesar dos anuncios prematuros do fim da crise e da denegação de previsões que depois têm de ser aceites como boas e como referencias..
2. Se certos elogios da imprensa do passado eram exagerados, tambem agora certas criticas ao MF são excessivas. E injustas.
3. Temos um Pais que há DEZ ANOS se afasta da Europa e que no ciclo 2011/2017 se vai afastar ainda mais da Europa. Todos sabem isso. Excepto os Governos e as Oposições que vivem num Mundo Paralelo. Vivemos acima dos nossos meios e não queremos mudar de vida. Acusar A ou B de CULPADO do GIGANTESCO IMOBILISMO NACIONAL é um disparate.
4. Em vêz de criticas inócuas, apresentem os verdadeiros numeros do PIB, do Défice e da Divida Externa. Aí sim, prestavam um serviço aos Investidores.
Qualquer pessoa sensata vira as costas a este país.
Este País o que precisa é :
-Um governo credivel
-Politicos crediveis
-justica credivel
Se este incredientes existirem a democracia funciona e o País evolui.
Mas não me parece ,e eu como simples cidadão cada vez estou mais descrente em toda esta gente.
Pouco a pouco vai-se percebendo o que MFL queria dizer com "politica de verdade". Este governo, assim como o anterior só governam para a imagem e manterem-se no poder a qualquer custo. mas a máscara começa a cair......
Todos sabemos que a crise degradou as finanças de Portugal e dos seus pares. Todos sabemos que o abrandamento da actividade económica determinou a redução da receita, sobretudo ao nível do IRC. Há, por isso, razões ponderosas que justificam o aumento do défice. Mas será que justificam a escalada de uns recomendáveis 2% para uns recordistas e escandalosos 9%.
Essa é a questão fundamental, não para procurar responsáveis mas para apurar competências.
Justifica-se o galopante aumento do défice na redução da receita. Para mim, embora não sendo economista, o problema está (e sempre esteve) na despesa. O Estado não sabe administrar e gastar os dinheiros públicos.
Enquanto isto vamos sendo abraçados "de morte" pela máquina estatal, que lentamente nos adormece.
ORA SE OS BANQUEIROS GOSTARAM MUITO DELE È PORQUE ALGO ESTÀ MAL E SE AS COISAS VAO DE MAL A PIOR ;TÀ-SE MESMO A VER ONDE ESTÀ O PROBLEMA:E A INSTITUICAO QUE O JULGOU NAO SE BASEOU EM COR POLITICA ;MAS EM RESULTADOS