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Cimeira europeia

Luxemburguês Juncker avança contra Blair

Luís Rego em Bruxelas  
28/10/09 07:30


"Se eu fosse convidado, eu não teria uma razão para recusar ouvir [esse convite]"

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Dias antes da cimeira europeia, o presidente do Eurogrupo apresenta-se na corrida à presidência do Conselho. Lisboa parece, agora, menos adepta de Blair.

Juncker contra Blair. Enquanto o governo britânico intensifica o ‘lóbi' pela candidatura não oficial de Tony Blair, o primeiro-ministro luxemburguês, Jean-Claude Juncker, avisou ontem estar disponível para ser o primeiro presidente do Conselho Europeu, cargo criado com o Tratado de Lisboa.

"Se eu fosse convidado, eu não teria uma razão para recusar ouvir [esse convite]", disse Juncker, em entrevista ao jornal francês Le Monde. Já na semana passada, Juncker tinha dito que "tudo farei para que uma certa pessoa não seja presidente do Conselho"...

O gesto de Juncker, o mais antigo líder europeu no activo, é visto como uma missão "suicida" para destruir a candidatura de Blair, numa réplica da mesma táctica usada pelo líder britânico na corrida para presidente da Comissão em 2004. Mas agora, como então, o cenário mais provável é o de aparecimento de um terceiro candidato, sobre os escombros destas candidaturas.

O holandês Jan Peter Balkenende, continua a ser o melhor posicionado, embora Berlim insista no regresso do ex-chanceler austríaco Wolfgang Schuessel. Figuras que, para agrado dos países de pequena e média dimensão, teriam um perfil mais comedido: um ‘chairman' em vez de um presidente.Juncker contra Blair. Enquanto o governo britânico intensifica o ‘lóbi' pela candidatura não oficial de Tony Blair, o primeiro-ministro luxemburguês, Jean-Claude Juncker, avisou ontem estar disponível para ser o primeiro presidente do Conselho Europeu, cargo criado com o Tratado de Lisboa.

"Se eu fosse convidado, eu não teria uma razão para recusar ouvir [esse convite]", disse Juncker, em entrevista ao jornal francês Le Monde. Já na semana passada, Juncker tinha dito que "tudo farei para que uma certa pessoa não seja presidente do Conselho".

O gesto de Juncker, o mais antigo líder europeu no activo, é visto como uma missão "suicida" para destruir a candidatura de Blair, numa réplica da mesma táctica usada pelo líder britânico na corrida para presidente da Comissão em 2004. Mas agora, como então, o cenário mais provável é o de aparecimento de um terceiro candidato, sobre os escombros destas candidaturas. O holandês Jan Peter Balkenende, continua a ser o melhor posicionado, embora Berlim insista no regresso do ex-chanceler austríaco Wolfgang Schuessel. Figuras que, para agrado dos países de pequena e média dimensão, teriam um perfil mais comedido: um ‘chairman' em vez de um presidente.

Este é também o reeditar de um confronto entre a Europa atlantista e a Europa federalista, que marcou o combate político na escolha do presidente da Comissão em 1994 e em 2004. A nível pessoal os dois homens confrontaram-se na guerra do Iraque e reforma do orçamento europeu em 2005. Mas desta vez o veto não é grande solução, porque a decisão será por maioria qualificada.

Portugal distancia-se de Tony Blair

Portugal joga nos dois tabuleiros e evitará entrar neste combate onde se habituou a fazer a ponte. Luís Amado, o chefe da diplomacia portuguesa diz "favorecer para a família dos socialistas europeus a figura do alto representante" da Política Externa da UE, o que não é abonatório para Blair. Isto porque há um "acordo de princípio" entre os grupos políticos, explicou. E "se o entendimento que prevalecer for que o presidente do Conselho Europeu [deve] pertencer ao Partido Popular Europeu, a figura de Tony Blair [um socialista] está fora de questão", concluiu Amado.

No outro lado do canal da Mancha, Juncker é descrito como um político de bastidores, um fumador imparável, que lidera o 26º maior país da UE, com uma população de 500 mil habitantes, 0,1% do total europeu. "Não sou um anão, ao contrário do que diz a imprensa britânica. Tenho relações de amistosas com Vladimir Putin (primeiro-ministro russo). E conheço os líderes chineses há já muito tempo".

Londres está a começar a mexer-se. O jornal Guardian noticiou ontem que o primeiro-ministro Gordon Brown deu indicação aos diplomatas para fazer discretamente ‘lóbi' por Blair, no seguimento da percepção de uma fonte citada pelo jornal que diz que "se Tony não se empenhar estará em dificuldades".

David Miliband, o chefe da diplomacia cujo nome é nos bastidores dado como imbatível para "ministro dos negócios estrangeiros europeu", foi claro como nunca sobre quem deve ocupar o lugar de presidente: "Se Blair for candidato será uma boa opção - ele é um político persuasivo, um europeísta genuíno e um verdadeiro construtor de alianças".

Também Bernard Kouchner, o ministro de negócios estrangeiros francês declarou o seu apoio "a titulo pessoal", sendo que a posição do chefe de Estado, Nicolas Sarkozy, já foi bem mais entusiasta por Tony Blair. Além destes, o líder irlandês e italiano também já expressaram o seu apoio, enquanto o austríaco e o belga fizeram exactamente o oposto.

O adiamento da ratificação checa do Tratado de Lisboa (ver texto ao lado) retira a disputa pela presidência do ConselhoEuropeu da ordem de trabalhos da cimeira que trará amanhâ a Bruxelas os líderes europeus. Porém, na medida em que está em jogo uma luta de poder e influência na União Europeia, ninguém duvida que a nível informal este ponto será recorrente nos contactos de alto nível, devendo apenas em Dezembro subir à agenda do Conselho.


Comentários

USA, NY | 28/10/09 02:25
Ainda nao comoceou o festim e ja ca temos de os aturar.


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