Universidades

26 Abr 2012

Luxemburgo: um ‘El Dorado’ com menos Sol

António Freitas de Sousa
Luxemburgo: um ‘El Dorado’ com menos Sol

Se pensa em procurar emprego no Luxemburgo, este não é o momento certo.

Luxemburgo é visto como uma espécie de El Dorado na Europa, mas o país também está a passar por vários problemas". O pequeno território encastrado entre a Bélgica, a França e a Alemanha é habitado por pouco mais de meio milhão de pessoas, das quais cerca de 17% são portuguesas, mas o seu embaixador em Portugal, Paul Schmit, disse ao Diário Económico que o país não é um caso à parte na Europa: a crise das dívidas soberanas não parou às portas das suas fronteiras.

Até porque o Luxemburgo é tradicionalmente um país de fronteiras muito permeáveis: 35% da população é estrangeira e a esmagadora maioria da produção interna - instalada sobre as potencialidades do aço, química e borracha - segue para as exportações, principal item que sustenta um PIB da ordem dos 30 mil milhões de euros (o que resulta no PIB ‘per capita' mais elevado do planeta).

Mesmo assim, Paul Schmit - que estava no Porto para participar na apresentação do livro "História do Luxemburgo" - considera que "talvez este não seja o momento certo" para os portugueses decidirem rumar ao Luxemburgo, à procura de emprego. É que, desde 2002, a taxa de desemprego não pára de subir. Os valores é que são um pouco diferentes dos portugueses: a tendência de crescimento do desemprego deu-se quando a taxa atingiu um mínimo próximo dos 2% e actualmente situa-se entre os 5% e os 6% - que comparam com os mais de 14% verificados em Portugal.

O maior problema do país - relativamente aos estrangeiros que o procuram - é que a economia luxemburguesa está a derivar da tradicional indústria de bens transaccionáveis para os braços da banca: o sector financeiro já responde por parte muito substancial do PIB, o que quer dizer que muitos postos de trabalho industrial deixaram de existir nas últimas décadas.

O novo enquadramento faz com que os níveis de ensino e de especialização requeridos para a entrada no mundo do trabalho também tenham subido. Por outras palavras: já não parece haver lugar para os operários que sobreviviam à custa do preenchimento de lugares de trabalho intensivo, sem verdadeiramente terem de inter-agir com os seus colegas. "Não se pode esquecer que a escola, no Luxemburgo, é multilingue: em francês e em alemão" para além do luxemburguês, recorda Paul Schmit, por isso podem surgir problemas de adaptação ao meio envolvente.

Refira-se que, segundo documentos oficiais do governo, o país deverá entrar em recessão no final de 2012 (com um crescimento negativo de 0,9%), mas prevê voltar ao crescimento logo no ano seguinte - mesmo que os dados salientem a hipótese de o défice público ultrapassar a barreira dos 3% em 2013. E que a dívida pública possa atingir a astronómica parcela de 25% do PIB em 2015.

Luxemburgo
Com apenas 2.580 km2 (é um pouco maior que os Açores), o Luxemburgo foi sempre uma encruzilhada de caminhos entre o Norte e o Sul, o Este e o Oeste da Europa. Tem, por isso, três línguas oficiais (luxemburguês, francês e alemão) e uma história feita de guerra e de sucessivas lutas pela independência. Tem mais a ver com Portugal que aquilo que se pode pensar: tal como o nosso País, esteve também sob o domínio dos Filipes.

x
Recomendadas
x
Social
    0 LEITORES ONLINE

    Comentários

    "O Económico apela aos leitores para que utilizem este espaço para um debate sério e construtivo, dispensando-se, para o bem de todos, o insulto e a injúria gratuitos. Desaconselha-se o uso exclusivo de maiúsculas e a repetição de comentários. Comentários inadequados devem ser denunciados e quando tiverem mais de cinco denúncias serão eliminados. O IP do leitor não será revelado mas ficará registado na base de dados".
    ir para o topo