Universidades

11/05/10 11:05

Lusíada e Piaget já têm universidades em Angola

Pedro Quedas

A par das parcerias e dos intercâmbios, esta é uma forma de apoiar o desenvolvimento académico do país.

A aposta das universidades portuguesas em parcerias com países lusófonos já vai tendo uma força cada vez maior em África, mas a grande maioria dos protocolos em vigor concentram-se no mercado brasileiro, que conta com um circuito académico consideravelmente mais desenvolvido. Esta intenção de apoiar o desenvolvimento académico dos países africanos da lusofonia leva a que algumas instituições, mais do que se limitarem a celebrar parcerias estratégicas, avancem para uma presença mais dominante, abrindo mesmo pólos universitários novos nestes países.

É esse o caso da Universidade Lusíada de Angola, que foi inaugurada em 2002 e funciona em Luanda, Cabinda e Benguela e oferece nove licenciaturas: Arquitectura, Direito, Contabilidade, Gestão de Empresas, Gestão de Recursos Humanos e Economia.

"Desde há muito que a Fundação Minerva, entidade instituidora das Universidades Lusíada de Portugal, vinha sendo contactada pelas autoridades nacionais de diversos PALOP para abrir nesses países universidades, pedidos esses para os quais sempre demonstramos a maior abertura e analisamos com o maior cuidado, convictos de que poderíamos, de facto, contribuir para a criação de um ensino superior de qualidade nestes países", explica Pedro Matos Ferreira, director dos Serviços de Administração Escolar da Fundação Minerva, que gere a Universidade Lusíada.

Os cerca de dez mil alunos que frequentam a escola africana estão repartidos por Luanda, Lobito e Cabinda. O intercâmbio de professores e alunos entre os dois países é frequente e são concedidas, aos melhores assistentes universitários da Lusíada de Angola, bolsas para frequentarem os cursos de mestrado e doutoramento ainda não existentes na Universidade Lusíada angolana. De referir também que a Lusíada concede isenção total de propinas aos estudantes naturais dos PALOP que frequentam as suas escolas em Portugal

Pedro Matos Ferreira anuncia também que faz parte dos planos da universidade privada avançar para um programa de mestrados, pós graduações e especializações, "não só para complementar a aprendizagem dos alunos, mas também para responder aos desafios que o ensino superior angolano enfrenta, nomeadamente formar pessoas com as competências necessárias para o desenvolvimento e reconstrução de Angola".

Os olhos do Instituto Piaget já estão voltados para o apoio do ensino superior em Angola há mais de uma década. Foi no ano de 1999 que se iniciaram as obras as obras da Universidade Piaget de Angola, no bairro da Kapalanca, nos arredores de Viana. A 30 de Novembro do mesmo foi inaugurada a nova escola e começaram a ser leccionados os primeiros cursos previstos. No ano lectivo de 2005/2006, a Universidade Piaget de Angola diplomou o seu primeiro grupo de licenciados. Hoje a instituição tem 343 docentes, entre os quais se contam 49 doutores e 49 mestres e conta com cerca de 6 200 estudantes, oriundos de várias províncias do país. Nos planos do Instituto Piaget está a expansão de pólos a todas as regiões do país, partindo esse crescimento do constante diálogo com o governo angolano.

"Fomos para Angola quando o país estava em guerra, foi uma decisão estratégica altamente complicada", recordou, numa entrevista ao Diário Económico, António de Oliveira Cruz, presidente honorário do Instituto Piaget. "O grande objectivo de ir para Angola tem a ver com a grande base da língua portuguesa, estabelecer parcerias com uma cultura que tanto tem em comum com a nossa. Aliás, muitos dos angolanos que sabem português, falam-no mesmo muito bem".


‘Angola School of Business'

AESE ajuda a construir escola de negócios
Mais do que apenas criar programas de intercâmbio cultural e profissional, desde há dois anos que a AESE está a ajudar um conjunto de parceiros locais a montar a ‘Angola School of Business', um projecto que ainda não foi formalmente constituído mas que deverá ser anunciado oficialmente nos próximos dias.

Actualmente, a presença da AESE em África concentra-se nos PADE (Programa de Alta Direcção de Empresas), dirigidos aos administradores de organizações como bancos, companhias aéreas ou empresas de electricidade e águas, construção e obras públicas, e a dirigentes de topo da Administração Pública. O PADE Luanda tem tambêm uma semana internacional, na qual os participantes vêm a Lisboa e a Madrid (ao IESE). Este programa é assumido pela direcção da escola como um "enorme desafio e responsabilidade", tendo em conta a "extraordinária oportunidade de desenvolvimento e o momento da história" que Angola vive.

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