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Quatro dos analistas que acompanham as acções do BES estimam que o banco apresente lucros de 101 milhões de euros.
O Banco Espírito Santo (BES) vai informar os mercados dos resultados alcançados no segundo trimestre esta segunda-feira, depois do fecho da bolsa. E, de acordo com as estimativas de quatro analistas contactados pelo Económico, os resultados deverão mostrar uma queda homóloga de 38% dos lucros e uma correcção de 9,4% da margem financeira. Isto significa que o BES deverá apresentar lucros de 101 milhões de euros e uma margem financeira de 265,5 milhões de euros, que comparam com lucros de 163 milhões de euros e uma margem financeira de 293 milhões de euros contabilizados no segundo trimestre de 2010.
Monica Patrascu, do HSBC, justifica estes números por o banco "ter estado a vender activos, o ‘funding' ser difícil, o negócio é complicado e actualmente o BES tem o mínimo de capital entre os maiores bancos". Por essa razão Patrascu confessa que "não estou muito optimista acerca dos resultados ou, em termos gerais, acerca das perspectivas do sector bancário português." Recorde-se que, já esta semana, BCP e BPI revelaram que os lucros registados no segundo trimestre deste ano registaram uma queda homóloga de 45,8% e 20,4%, respectivamente.
Rita Silva, analista do Millennium investment banking, numa nota de ‘research' enviada aos clientes do banco a 10 de Junho, referia que os resultados do BES vão beneficiar de algumas receitas extraordinárias (venda do Bradesco e dividendo extraordinário da Portugal Telecom) e que "por isso, o processo de desalavancagem poderá ser mais agressivo". Segundo contas de Carlos Peixoto, analista do BPI, estas duas operações terão gerado receitas de 247 milhões de euros, que somam aos 60 milhões de euros de ganhos contabilizados pela recompra de dívida subordinada do banco e de prejuízos no valor de 20 milhões de euros da venda de carteiras de crédito com um desconto médio de 4%. "Esperamos que a maior parte deste montante seja alocado a provisões para reforçar a cobertura dos desafios futuros criados por um ambiente macroeconómico sombrio", refere o especialista numa nota de quarta-feira.
André Rodrigues, analista da Caixa BI, partilha da mesma ideia e considera que a equipa de gestão do BES deverá utilizar estas receitas extraordinárias para reforçar o balanço por via da criação de provisões. "Nesta altura, o mais importante para os bancos não é os números que apresentam mas a mensagem que passam para o mercado sobre o posicionamento do balanço do banco e como a gestão irá reagir à situação actual dos mercados", refere o especialista, que antecipa imparidades de crédito de 330 milhões de euros e uma margem financeira, sem dividendos, de 272, 1 milhões de euros.
O analista mais optimista desta ‘pool' de estimativas é Prathmesh Dave, do banco de investimento Nomura, que estima lucros de 107 milhões de euros. Contudo, acredita que a margem financeira do banco liderado por Ricardo Salgado terá estado sob pressão no segundo trimestre por o "BES ter reduzido a sua dependência do BCE e da cobrança de custos mais elevados no financiamento do segmento de retalho devido a um foco maior no crescimento dos depósitos nos dois últimos trimestres", refere o analista numa nota de ‘research' publicada na terça-feira.
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